22 julho 2012

Indo ao Teatro # 01



Daí você vai ao teatro. Como todo mundo acha muito antissocial, estranho e chato pra caralho seu hábito de ir para teatro/cinema sozinho, você decide, dessa vez, só dessa vezinha ser uma pessoa semi-normal e ir acompanhado. 

Ir ao teatro/cinema sozinho basicamente evita que você tenha de atrapalhar seu filme/peça com interações sociais inadvertidas em momentos inoportunos.

Você socializa o máximo possível com o grupo com que você foi ao espetáculo antes deste começar. Se bem que a bem da verdade o fato de que jogar angry birds naquele momento ser muito mais divertido do que acompanhar a conversa deveria servir de alerta para como vai ser o restante da noite.

Mas você ignora os sinais. Afinal, matar porcos verdes tacando passarinhos kamikazes neles é divertido para cacete. Fica difícil para qualquer um competir com esse nível de entretenimento primal.         

Finalmente começa a apresentação. E eis que você descobre que o seu ingresso veio premiado! Ele dá direito à versão comentada do evento! 

Você se dá conta disso na medida que duas das suas acompanhantes embalam num debate metafísico baseado na mais pura necessidade de narrar o que todo mundo acabou de ver no palco.    

(Mais ou menos como aqueles animes da década de 90, em especial o dos cavaleiros de sexualidade duvidosa que defendiam a deusa mais tapada de todos os éons.)

“Ele tá apaixonado por ela!" Tu jura? Deve ser por isso que o ator se ajoelhou com um buquê de flores e cantou olhando em direção à atriz!     

Cara, ainda bem que vocês tão aqui para me esclarecer, se não eu ia tá perdido achando que ele era um super-espião internacional prestes a espirrar ácido no rosto da bela dama com um mecanismo escondido naquela rosa protuberante do buquê! É uma história de amor e eu achando que era adaptação de 007!     

Mas você está comprometido em ser sociável e educado - embora já esteja começando a se questionar o por quê disso mesmo. Você suporta sua hora de tortura caladinho, até que, já nas escadarias saindo do teatro, justo quando você estava todo orgulhoso do seu desempenho social (bem como da sua capacidade de se sacrificar pelo Bem Comum) uma das criaturas falantes sente a inevitável necessidade de perguntar sua opinião sobre o espetáculo.                         

Ela acha que você não gostou. Provavelmente por que você estava calado demais.   

Isso não se faz. Com seu autocontrole esticado ad extremis, antes de perceber você está  tornando explícita toda a irritação contida na última hora com o matraquear incessante.

E a reação da criatura? "ah, todo mundo sobreviveu!"    

Como todo mundo sobreviveu, mesmo depois desse comentário, você deve ficar orgulhoso de si mesmo.

Mas surge uma curiosidade antropológica sobre o local de onde surge esse tipo de ser que considera sobreviver ao teatro critério de qualidade de entretenimento.

Por acaso ela vive em uma zona de conflito onde ir ao teatro torna-se uma declaração pública de coragem, ousadia e liberdade política dados os riscos de um atentado à bomba?!

É teatro, não uma luta mano a mano com o Chuck Norris! Sobreviver é a regra! (Com exceção do Abraham Lincoln, claro.)      

Nesse momento você jura solenemente nunca mais abrir mão dos seus hábitos esdrúxulos. Eles lhe garantem sanidade.       

E também faz um voto solene de temer eternamente o lugar que gera essas criaturas.

16 julho 2012

30



I've just seen a face I can't forget the time or place where we just met,
She's just the girl for me and I want all the world to see we've met.
Mm mm
Had it been another day I might have looked the other ways and,
I'd have never been aware but as it is I'll dream of her tonight.
Da da
Falling, yes I'm falling,
And she keeps calling me back again.
I have never known the like of this I've been alone and I have,
Missed things and kept out of sight for other girls were never quite like this.
Da da
Falling, yes I'm falling,
And she keeps calling me back again.
Falling, yes I'm falling,
And she keeps calling me back again.



(um dia etílico de atraso)