04 março 2012

As Esganadas - Desafio Literário 2012



O último livro do Jô Soares que eu gostei foi “O Xangô de Baker Street”, e suspeito que isso tenha sido mais pelo fato de eu ser um pirralho cabuloso orgulhoso de ter lido o livro todo em menos de 24 horas do que por qualquer mérito literário do livro em si. Ou talvez por eu ser um pirralho cabuloso que ficou realmente empolgado com a ideia de que Sherlock Holmes ia comer a guria do livro no museu em frente a múmia quando ela menstrua pelos poderes místicos do tal sarcófago – não menos importante notar que em minha imaginação juvenil a guria da história tinha a cara e corpo da Helena Ranaldi.

Quando ele lançou “O Homem que Matou Getúlio Vargas”, um par de anos depois, eu corri para comprar o livro, e fiquei extremamente decepcionado. O livro era muito bem pesquisado, cheio de curiosidades históricas etc, mas tive a sensação que Jô estava mais interessado em amealhar aqueles fatos interessantes e nos contar causos do que, efetivamente, contar uma história. O “Assassinatos na Academia Brasileira de Letras” foi sumariamente ignorado por minha pessoa em decorrência disso.

Como “As Esganadas” foi lançado na mesma época que eu fazia minha lista para o Desafio Literário 2012, e correspondia ao tema de março, serial killers, resolvi incluí-lo. Bom, a sinopse todo mundo já tá sabendo: um assassino serial atua no Rio de Janeiro nos anos 30, matando gordas. A propósito, a identidade do assassino já é informada desde o prólogo, não tem mistério no livro. Jô Soares disse em uma entrevista que não gosta de livros que se baseiam no mistério de “quem é o assassino?”.

Veríssimo disse sobre o livro que ele é uma ótima descrição dos costumes da década de 30. E é isso. Divertidinho, e só. Os personagens são rasos e Jô consegue descrever os crimes mais escabrosos sem causar o menor impacto no leitor. Zero de conexão emocional. E o “arco” de alguns personagens, como do anão, são simplesmente medonhos em sua banalidade. E você nunca se convence totalmente dos grandes poderes dedutivos do detetive português protagonista do romance.

E eis que, depois de ler o livro, achei uma outra entrevista do Jô Soares dizendo que para ele a pesquisa é a parte mais interessante. Novamente, o livro é muito bem pesquisado, e até didático, mas completamente insoso.

Avaliação: um cafezinho durante o trabalho, daqueles que você toma só pra matar o tempo

5 comentários:

Michelle disse...

Eu estou lendo "Assassinatos na Academia Brasileira de Letras" para o Desafio Literário. É meu primeiro livro do Jô Soares e notei as mesmas coisas que você: um ótimo trabalho de pesquisa com detalhes históricos interessantes e só. Estou na metade do livro e a história em si é bem fraca. E pelo jeito isso não acontece apenas neste livro do Jô... Pena.
Até+!

Li Castro disse...

Concordo... Meu primeiro livro deste mês foi esse, uma decepção!

Aline Gomes disse...

Do Jô só li "Assassinatos na ABL" e achei mais uma piada do que qualquer outra coisa. Concordo que o cara pesquisa muito bem, mas o enredo em si, aquilo (o que quer que seja) que segura o leitor na cadeira mesmo qdo o olho não consegue mais se manter aberto, é quase inexistente.

"Cabuloso" é uma palavra que eu não ouvia há muito tempo!

Vivi disse...

Eu nunca tive interesse em ler um livro do Jô Soares. Sempre tive uma cisma de que, no caso dele, tudo é subterfúgio para que o seu suposto virtuosismo ou vasto conhecimento ganhe destaque. Ele deixa isso transparecer muito nas entrevistas. O que me irrita um tanto. De modo que sempre tropeço em um dos seus livros na casa de parentes, amigos e até aqui em casa (minha irmã comprou esse As esganadas), mas sempre me bate aquela preguiça.

Francieli Witezak disse...

Que jô Soares não gosta de histórias em que o mistério é o assassino dá para perceber em O Xangô de Baker Street, tamanha é a piada que ele faz com o personagem do Conan Doyle. Mas eu gostei.

Quanto 'As Esganadas, nada posso dizer, pois não o li. Só sei que tenho O Homem que Matou Getúlio Vargas para ler ainda este ano, e antes mesmo de começar já estou um tanto desanimada, por causa das críticas.

Mas fazer o quê? Também não se pode elogiar um livro ruim.