23 janeiro 2012

Julie & Julia - Desafio Literário 2012




Aos 29 não sou alheio às crises existenciais que Julie Powell enfrentava no tempo em que o livro se passa. Especialmente a sensação que a juventude se foi e a sensação difusa de o-que-foi-mesmo-que-eu-fiz-com-esse-terço-da-minha-vida (no caso da maioria das pessoas, como pretendo atingir os 120, pelo menos – vaso ruim não quebra, são os primeiros 25%).

Acho que alguém diz em RENT (ou eu li isso na época em que vi RENT, ou pensei isso enquanto assistia o filme, sei lá) que nós nos salvamos das maneiras mais estranhas. Basicamente é isso que Julie faz. Aos 29, casada, morando em um apartamento que ela detesta, working a job she hates (referência obrigatória a “Clube da Luta”), ela decide cozinhar todo o meio milhar de receitas de um livro de culinária francesa, escrito por Julia Child, que é tipo a Ofélia gringa. E fazer isso em um ano. E registrar a experiência em um blog.

De muitas maneiras a experiência mudou a vida de Julie, de algumas grandiosas, outras sutis. Muita coisa mudou para poder permanecer a mesma – como tem que ser, como tenho afirmado seguidamente =P. (Ok, usei um emoticon de linguinha no meio de um post, acho que são as tais das vodkas-tônicas que aprendi com Julie).

Apesar de tudo isso, e discordando da maioria das resenhas sobre o livro do Desafio Literário desse mês, achei o livro só mais ou menos. Para começar, achei o filme melhor. O que é extremamente raro, já que a experiência condensada do cinema costuma não se equiparar as miríades de possibilidades da palavra escrita. Nesse caso, essa condensação é meio que uma bênção. O livro é mais ou menos, divertidozinho, mas alugar o filme vai ser mais legal. E evita de você ler sobre o trocentésimo ataque histérico de Julie.

O fato é que não é um livro extremamente inspirador – embora a experiência que lhe deu origem o seja; os personagens não são cativantes – nem Julie nem Júlia, diga-se de passagem; a escrita é só razoável, nenhuma qualidade literária pungente etc. Mas é bonzinho.

Eu queria muito gostar dele, pq gosto de pessoas de quase trinta se salvando através de projetos insanos e inusitados. Mas não rolou.

No entanto, aprendi a preparar Vodkas-Tônicas ;) (e lá vai outro emoticon)


Avaliação: Um copo de vodka-tônica pela metade (veja o filme e será meio cheio, leia o livro e será meio vazio)

2 comentários:

Patrícia disse...

Eu diria que o livro é 3/4 de copo vazio... abraço!

Patrícia disse...

Neriberto, um copo cheio de vodka-tônica pra sua resenha! Você é legal! Gosto muito do humor presente nos seus textos. Outro abraço