24 janeiro 2012

We Can Be Heroes


A África enfrenta fome de proporções catastróficas devido a pior seca dos últimos 60 anos. Agências internacionais de notícias alegam que a situação foi agravada pela demora da assistência dos órgãos internacionais ligados a ONU.

A DC Comics (para os não-nerds: a editora de quadrinhos responsável pela publicação de Batman, Superman etc.) se comprometeu a dobrar o valor de todas as doações arrecadadas através desse site: http://www.joinwecanbeheroes.org/

Vale a pena colaborar com o marketing social deles, divulgar a notícia e, pra quem não tiver um cartão de crédito internacional (meu caso), descolar um emprestado.

23 janeiro 2012

Julie & Julia - Desafio Literário 2012




Aos 29 não sou alheio às crises existenciais que Julie Powell enfrentava no tempo em que o livro se passa. Especialmente a sensação que a juventude se foi e a sensação difusa de o-que-foi-mesmo-que-eu-fiz-com-esse-terço-da-minha-vida (no caso da maioria das pessoas, como pretendo atingir os 120, pelo menos – vaso ruim não quebra, são os primeiros 25%).

Acho que alguém diz em RENT (ou eu li isso na época em que vi RENT, ou pensei isso enquanto assistia o filme, sei lá) que nós nos salvamos das maneiras mais estranhas. Basicamente é isso que Julie faz. Aos 29, casada, morando em um apartamento que ela detesta, working a job she hates (referência obrigatória a “Clube da Luta”), ela decide cozinhar todo o meio milhar de receitas de um livro de culinária francesa, escrito por Julia Child, que é tipo a Ofélia gringa. E fazer isso em um ano. E registrar a experiência em um blog.

De muitas maneiras a experiência mudou a vida de Julie, de algumas grandiosas, outras sutis. Muita coisa mudou para poder permanecer a mesma – como tem que ser, como tenho afirmado seguidamente =P. (Ok, usei um emoticon de linguinha no meio de um post, acho que são as tais das vodkas-tônicas que aprendi com Julie).

Apesar de tudo isso, e discordando da maioria das resenhas sobre o livro do Desafio Literário desse mês, achei o livro só mais ou menos. Para começar, achei o filme melhor. O que é extremamente raro, já que a experiência condensada do cinema costuma não se equiparar as miríades de possibilidades da palavra escrita. Nesse caso, essa condensação é meio que uma bênção. O livro é mais ou menos, divertidozinho, mas alugar o filme vai ser mais legal. E evita de você ler sobre o trocentésimo ataque histérico de Julie.

O fato é que não é um livro extremamente inspirador – embora a experiência que lhe deu origem o seja; os personagens não são cativantes – nem Julie nem Júlia, diga-se de passagem; a escrita é só razoável, nenhuma qualidade literária pungente etc. Mas é bonzinho.

Eu queria muito gostar dele, pq gosto de pessoas de quase trinta se salvando através de projetos insanos e inusitados. Mas não rolou.

No entanto, aprendi a preparar Vodkas-Tônicas ;) (e lá vai outro emoticon)


Avaliação: Um copo de vodka-tônica pela metade (veja o filme e será meio cheio, leia o livro e será meio vazio)

22 janeiro 2012

A Mesa Voadora - Desafio Literário 2012



Luis Fernando Veríssimo é tão bom que nem tem graça resenhar. Desde que a Objetiva tornou-se editora de Veríssimo, no início do século, tem publicado coletâneas do autor, selecionando crônicas do seu longo acervo agrupando-as linhas temáticas. Em “A Mesa Voadora” o fio condutor é a comida.

“No fim, tudo se deve à comida insossa. Quando os mongóis e os turcos interromperam o suprimento por terra dos condimentos do Oriente, a era dos descobrimentos começou. A Europa descobriu que não podia viver sem tempero e lançou-se ao mar e à conquista de rotas alternativas para o cominho e, por acidente, outros mundos.

A América é um produto do paladar europeu. Toda a grande aventura imperial foi aromática, tangida pela pimenta e o gengibre, a hortelã e a noz-moscada. Homens rudes lançavam-se contra o desconhecido e a morte pelo rosmaninho.

Outras fomes eram servidas, claro. A de ouro, a de prata, a de espaço. E a de sexo, pois as mulheres européias também eram sem sal.”

Veríssimo, como de hábito, é soberbo. Seja analisando friamente nosso comportamento bélico ao redor de uma mesa de buffet, ou salientando a natureza canibal inerente à espécie humana. Ou ainda discutindo as difíceis decisões que a tensão entre o prazer do bem comer e nossa consciência nos força a tomar:

“Não experimentei ainda a fondue de camarão porque precisei escolher entre comprar alguns quilos de camarão gigante e pagar a educação dos meus filhos.”

E entre digressões sobre globalização, e a plastificação e uniformidade que esta promove, acabando com os pastéis de beira de estrada que tendem a ser tão bons quanto pior for a aparência do estabelecimento; ou elocubrações sobre a similitude entre uma refeição completa e a história da vida sobre a terra, iniciada no caldo primal da sopa até a sobremesa final – nossa contemporaneidade, com nenhum valor nutritivo mas com uma apresentação magnífica “simbolizando o engenho e a futilidade humana”; encontra-se sintetizada a revolta coletiva contra as afirmações dos especialistas em nutrição, que mudam de parecer quase todo mês.

Ora tomate é saudável, ora é cancerígeno; carboidrato sim, carboidrato nem pensar! E o ovo, vilão por tanto tempo, de repente vira parte fundamental de um cardápio saudável! E quanto a todos os ovos que deixamos de comer em nome da boa saúde?! Quem responde por esse sacrifício?! Afinal

“Não se renuncia a pouca coisa quando se renuncia ao ovo frito. Dizem que a única coisa melhor do que ovo frito é sexo. A comparação é difícil. Não existe nada no sexo comparável a uma gema deixada intacta em cima do arroz depois que a clara foi comida, esperando o momento de prazer supremo quando o garfo romperá a fina membrana que a separa do êxtase e ela se desmanchará, sim, se desmanchará, e o líquido quente e viscoso correrá e se espalhará pelo arroz como as gazelas douradas entre os lírios de Gileade nos cantares de Salomão, sim, e você levará o arroz à boca e o saboreará até o último grão molhado, sim, e depois ainda limpará o prato com pão. Ou existe e eu é que tenho andado na turma errada.”



PS. - Dentro do tema comida, e tb do Veríssimo, é altamente recomendado o nonsense hilário de "Clube dos Anjos".

Avaliação: Dois pastéis de beira de estrada com um copo de caldo de cana!

08 janeiro 2012

Quero Ser Cliente Deles


Eis que eu tava zapeando no tumblr do Raphael (que é muito bom, mesmo sendo um tumblr), e vi essa postagem por lá:




Concordo com o comentário do Raphael, bem que certas empresas no Brasil, especialmente companhias aéreas (alguém falou webjet? TAM?) e empresas de telefonia (TIM, vivo..?) poderiam aprender o mínimo de relacionamento com cliente desses caras.

02 janeiro 2012

01 janeiro 2012

A Sopa de Kafka - Desafio Literário 2012







Todo mundo sabe que dia primeiro de janeiro é o dia internacional da ressaca. Muita água, coca-cola bem gelada, e uma comidinha leve. Se você consegue mandar pra dentro o resto do pernil ou do peru da ceia de ontem à noite, é só por não ter bebido o suficiente no réveillon.

A Sopa de Kafka é o livro ideal para hoje então. Como uma canja, bem de leve. Mark Crick traz 14 receitas no seu livro – incluindo o the best pão com queijo da galáxia. Cada receita é escrita emulando o estilo e a temática de um autor da literatura mundial, como Jane Austen, Raymond Chandler, Homero e, claro, Kafka.

O nível de sucesso de cada tentativa varia, mas alguns trechos ficaram primorosos. Adicionado a isso tem as ilustrações, também produzidas pelo autor, em que ele presta homenagem a artistas como Andy Warhol e Van Gogh.

Um trabalho cuidadoso. Vale pra passar o tempo no dia da ressaca, e, dependendo das suas habilidades gourmets, rende alguns dias a mais de diversão.

Avaliação: uma tigela de canja ½ cheia