04 outubro 2011

The Conservationist - Desafio Literário 2011



Você já se deu ao trabalho de ler a lista de vencedores do prêmio Nobel de literatura? entre muita gente que tinha mesmo que estar lá e muita gente que não faço idéia do por quê não está, tem um monte de tosquera. Tipo, Freud e Sartre. Gênios etc. ok, mas gênios LITERÁRIOS? Há controvérsias.
Seja como for aparentemente o Nobel de economia e de outras áreas também tem o hábito de premiar tosqueras. Mas estou fugindo do foco aqui. Quando decidi participar do DL ano passado fui passear na lista de premiados e topei com o nome e a biografia da Nadine Gordimer. Confesso que nunca tinha ouvido falar dela.
Sul-africana, escritora e ativista. Lutou contra o apartheid e ultimamente está envolvida no trabalho contra a expansão da AIDS na África. Os livros dela são inéditos no Brasil (e extremamente difíceis de achar em pdf, confesso), então novamente tenho de agradecer a Débora que gentilmente comprou esse livro pra mim na Irlanda.
E a Nadine, graças aos panteões milenares, não é uma das tosqueras. Bem o contrário, é uma das melhores coisas que eu já li. Ela tem uma musicalidade na narrativa que é sem comparação. A linguagem dela é como versos em prosa.
É um romance difícil de descrever, já que geralmente temos histórias focadas na trama ou histórias focadas nos personagens, e The Conservationist não é nenhuma das duas coisas. Há uma linha narrativa, com começo, meio e fim, mas não é muito rígida ou mesmo importante.
E embora ela caracterize os personagens com perfeição e de maneira extremamente crível, eles não mudam durante a trama. Não há desenvolvimento ou mesmo uma jornada de personagem. As pessoas são como elas são, e quanto mais as conhecemos mais elas são o que elas são. Inclusive em sua insignificância ante a terra e o ciclo natural da vida.
A autora é sutil, os temas mais diversos e controversos entram e saem de cena sem serem abusados na narrativa, sem sensacionalismo. Ela também demonstra conhecer a natureza humana em detalhes. A mão dela é honesta, nem complacente nem pesada demais.

Avaliação: Um copo cheio de sensibilidade.

3 comentários:

Palavras Vagabundas disse...

Fiquei morrendo de curiosidade!
abs
Jussara

Anônimo disse...

Que achado!!!! Fiquei interessada. Gosto de novidades. Beijos

Vivi disse...

Suas palavras me deixaram curiosa. Dica anotada! Bjs