19 outubro 2011

Chick Flick


O que a gente chama pelo aprazível e sutil “comédia romântica”, os gringos chamam de “filme de menina”. Aqueles filmes bobinhos que, como define o Urban Dictionary, apelam pras fantasias e sonhos irrealísticos do público feminino com seus sistemas límbicos embebidos em doses inapropriadas de estrogênio. O sucesso desses filmes é medido em litros de lágrimas – quanto mais o público chorar, “melhor” é o filme. Titanic, independente de qualquer coisa, é fundamentalmente o maior chick flick da história.

Essa lógica do sucesso em litros de lágrimas tem se acentuado nos últimos anos, é cada vez mais comum o pai morrendo, o cachorro morrendo, ou a própria protagonista morrendo. O ruim, nesse último caso, é que em geral ela demora demais pra morrer. Fico torcendo o filme inteiro para acontecer um momento ACME e cair uma bigorna na testa da criatura. Mais ou menos o que eu gostaria que tivesse acontecido com a Bella em torno da página 15 de Crepúsculo.

Mas chick flicks também são um guilty pleasure muito comum. Ou seja, aquelas coisas que por breguinhas ou de mau gosto que sejam, a gente adora fazer. Como assistir comédias românticas. Claro que não todas elas, mas tem umas tão legais.  

Uma favorita é “10 coisas que odeio em você”. O elenco tem um monte de gente boa em começo de carreira, como o Heath Ledger, a Julia Stiles e o Joseph Gordon-Levitt. A história, por bobinha que tenha que ser, é legal. E Julia + Heath conseguem vender uma interação crível, mesmo com cenas como a dele cantando I Love You Baby nas arquibancadas da escola para ela, com direito a ser acompanhado pela banda marcial.

No entanto, para mim o melhor ainda é o poema que ela escreve – e que serve de desculpa para o nome do filme. Ela faz uma lista do que odeia nele, como os estúpidos coturnos, o corte de cabelo ensebado, o jeito que ele parece estar sempre certo, o fato dele fazê-la sorrir e de sempre ler a mente dela.

E mais que tudo, o fato de que, no fim das contas e com todos os bons motivos do mundo, ela não odiava ele nem um pouquinho. De jeito nenhum.

2 comentários:

Michelle disse...

Sou suspeita. Eu vejo o filme bobo que tiver pela frente.
Tá, alguns só por pirraça. Me descobri tão orgulhosa nos últimos meses, to em choque!

Heitor Oliveira disse...

Cara, quanto tempo! Apareço de vez em quando no teu blog pra ler as coisas interessantes que escreves. Sobre as comédias românticas, tenho me surpreendido com umas coisas bem interessantes: Harry and Sally, com Meg Ryan e Billy Cristal, com a cena clássica onde ela simula um orgasmo é impagável. O Que as Mulheres Gostam, com Mel Gibson, me ensinou a gostar de Frank Sinatra, e a tê-lo mesmo como um amigo. Como Perder um Homem em 10 Dias é muito divertido também, e algumas mais recentes, como Amor a Toda Prova (Crazy, Stupid Love), com Steve Carrel, o bom e velho Michael Scott, filme que mostra como se pode falar de amor de forma inteligente e Amizade Colorida (Friends with Benefits), com Justin Timberlake amadurecendo cada vez mais como ator.
Enfim, sei que nossa amizade nunca foi uma via de mão dupla, mas vê se mantém o mínimo de contato, não dói. Abraço.

Ass: Heitor Oliveira (ex-estagiário)