10 julho 2011

Um Homem e Seus Discípulos - Desafio Literário 2011



Me peguei com medo de estar me tornando um desses trolls virtuais, um internet hater. Ultimamente até de Shakespeare eu falei mal nas resenhas para o Desafio Literário (ok, de uma pecinha isolada de Shakespeare que não curti). Aí depois de um profundo exame de consciência (uns dois segundos, mais ou menos o tempo de terminar de amarrar o cadarço do sapato) decidi que não é verdade. Eu sempre fui chato, só estou sendo fiel a minha natureza.
Essa nota se faz necessária pq julho acabou sendo o mês mais decepcionante do Desafio Literário. O livro “Um Homem e Seus Discípulos” de César Romão narra uma história referente à vida de Jesus que é mantida em segredo por uma ordem misteriosa, e cujos mistérios estão encriptados em uma obra de arte medieval, de autoria de Leonardo Da Vinci. Você acha que já leu esse livro? Não, você leu um outro livro muito ruim. O do César Romão é pior.
Todas as pessoas no livro, independente da idade, nacionalidade ou dos dois mil anos que as separem de nós falam do mesmo jeito: como um palestrante motivacional. O que o autor efetivamente é. Eu tinha feito uma nota dizendo que o livro parecia com o Augusto Cury. Mas quando começou a parte “histórica” mudei de idéia e decidi que na verdade era o Og Mandino que tava sendo emulado. Com a diferença que o Og Mandino escreve muito melhor.
E quem eu acho na bibliografia do livro? O próprio Og! Sim, você leu certo, bibliografia. “Um Homem e Seus Discípulos” pertence à tradição dos romances com bibliografia (!!!), iniciada por Paulo Coelho em outro livro merecedor do tratamento fahrenheit 451, “O Monte Cinco”. Só que o Paulo Coelho também escreve melhor. Não muito.
Como brinde, os clássicos do cinema “Ben-Hur” e “O Manto Sagrado” são arruinados em dois capítulos do livro. Big Time Spoiler + Versão Tosca. Último aperitivo (só pra mostrar que eu é que sou chato mesmo): em dado momento um personagem tem os braços amarrados nas costas, no próximo parágrafo ele ERGUE O BRAÇO PARA O ROSTO DE OUTRO PERSONAGEM À SUA FRENTE. Bom, se Robison Crusoé pode nadar pelado até o barco e voltar com suprimentos nos bolsos, tá tudo bem.
Existe um número de livros que ficcionalizam histórias bíblicas, alguns de maneira ortodoxa, outros em interpretações mais livres ou irreverentes.  “O Livro de Deus” de Walter Wangerin, “Jesus” do mesmo autor, os dois volumes de “Cristo Senhor” da Anne Rice (a mesma de entrevista com vampiro e autora da crítica mais genial já feita à série Crepúsculo), “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” do Saramago, “Um Homem chamado Jesus” de Frei Betto (para quem não conhece, é um dos que podem ser considerados não-ortodoxos), “Ben-Hur” do William Wyler, e até mesmo a infame série “Operação Cavalo de Tróia” do J. J. Benitez (comecei isso aqui dizendo que eu sou chato). E se você quiser sociedades secretas tem o espetacular “O Pêndulo de Foucalt” do Umberto Eco ou até mesmo a droga do “Código da Vinci”, do Dan Brown (esse devia ter bibliografia, de tão chupado de outros livros). Ou seja: você não precisa do livro do César Romão.
Estou deprimido. Fui levado a recomendar Dan Brown e fazer um meio-elogio ao Paulo Coelho.
Avaliação: Um copo vazio. Só. E nem sequer um copo bonito.
PS - Uma recomendação: graças ao Desafio Literário utilizei esse mês pela primeira vez a Estante Virtual (www.estantevirtual.com.br) uma rede de sebos interligados eletronicamente. Livros a um valor muito razoável e os sebos com os quais negociei foram extremamente prestativos. Recomendo.

2 comentários:

Palavras Vagabundas disse...

Não vou me dar ao trabalho de nem saber quem é Cesar Romão. Não gosto e não leio Paulo Coelho, mas ao que ele se propõe pelo menos escreve bem.
abs
Jussara

Vivi disse...

Já vi que não vou gostar então. Também não sou fã da grife Paulo Coelho. Chato? Você é quem diz. Eu curto muito vir aqui..hehe