28 julho 2011

Tiro ao Alvo



Coisa mais insuportável é mulher a reclamar de míseras gotículas de urina que acertaram, acidentalmente, a borda do vaso. Ou a tampa da privada. Ou o chão. A urina é 95% água (quente, amarela e de odor peculiar, mas basicamente água). Uns 2% de uréia, e uns 3% sei lá do quê (potássio e outras coisas). Entende-se que a principal função da urina é eliminar amônia, atuar no balanço dos líquidos corporais e no equilíbrio entre ácidos e bases. Ou seja: ela não tem bactérias e outras coisas sebosas (pelo menos não em concentração relevante).
Além disso é fisicamente impossível mijar com 100% de acurácia. Sabe, nós homens, temos um pênis, não um rifle de precisão. Mijar é um ato orgânico, não uma ciência. A depender das mais inescrutáveis e múltiplas variáveis – como a temperatura ambiente, hora do dia, e quais sonhos a gente teve noite passada, o jato pode fluir nos mais diversos formatos e direções.
Pior ainda se os pais tiverem tido o bom senso de ensinarem o guri a ser limpinho ao invés de cortarem um pedaço do seu pinto e o cara tiver um prepúcio.
Muitas vezes, inclusive, o jato flui em mais de uma direção. Jatos duplos são muito comuns, e em tempos especialmente frios os jatos-chuveirinho também não são raros. Como disse o Leo Jaime em uma edição recente do “Amor & Sexo”, a única forma de NUNCA errar o vaso é mijar sentado – o que é uma impossibilidade por razões sócio-culturais e de ordem pragmática (mulheres nunca entenderão a verdadeira liberdade de simplesmente abrir um zíper).
Ei, eu moro só e limpo meu banheiro (a maioria das vezes; a diarista veio hoje e deixou ele perfumado e brilhando, então posso me gabar um pouco). O que quer dizer que quando eu erro o vaso eu mesmo que vou ter de lidar com os resíduos indesejáveis. Então, mulheres, saibam que não é de sacanagem com vocês. É um fato da vida. Acontece. Superem.
Pelo menos a gente nunca vai fazer vocês terem de trocar os lençóis pq deixamos eles sujos de sangue. Ou se deparar com roupa de baixo pendurada para secar no chuveiro.


15 julho 2011

29

Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes

Estou aprendendo a viver sem você

(Já que você não me quer mais)

Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove, com o retorno de Saturno

Decidi começar a viver.

Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão.

(E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez)

14 julho 2011

101 Coisas / 1001 Dias



Nas andanças virtuais topei com o Day Zero Project. A idéia básica é motivar as pessoas a se planejarem para alcançar seus objetivos. A proposta é fazer 101 coisas em 1001 dias.

O site, pra quem quiser zapear, é o dayzeroproject.com

A contagem começa em pouco mais de uma hora, 15 de julho de 2011.

Até agora o exercício de fazer a lista em si me deixou com uma nova consciência de como o tempo passa rápido, como a gente tende a adiar e procrastinar, e como todas as coisas sólidas se dissolvem no ar.


1.       Perder 50 quilos, ganhar alguma definição e ficar satisfeito com meu corpo
2.       Fazer uma tatuagem
3.       Ler “O Livro Perigoso para Garotos” escrevendo comentários para meu eventual filho
4.       Escrever um romance
5.       Escrever um livro de contos
6.       Entrar na UnB, em psicologia
7.       Escrever uma carta para mim mesmo, para ser aberta em 10 anos
8.       Beijar na chuva
9.       Não reclamar de nada por uma semana
10.   Juntar R$ 100.000,00
11.   Fazer uma viagem internacional
12.   Aprender a tocar violão (pelo menos uma música)
13.   Fazer um curso de massoterapia
14.   Fazer um curso de barman/bartender, criar um drinque e batizá-lo
15.   Responder as 50 questões que irão libertar sua mente
16.   Escrever um blog diário durante seis meses sobre cultura/entretenimento/nerdices
17.   Escrever dois blogs simultâneos durante o período de quatro meses, um sobre espiritualidade e outro sobre sexo
18.   Desenhar algo que eu me orgulhe (e dependendo fazer uma compra de material de artes de qualidade)
19.   Assistir 10 filmes clássicos que eu nunca vi
20.   Uma semana sem internet
21.   Ler todos os livros não-lidos na minha estante
22.   Conhecer Rio Branco
23.   Passar um dia descalço
24.   Fazer algumas aulas de dança
25.   Passar num concurso público (mesmo que não assuma)
26.   Conhecer Balneário Camboriú
27.   Quitar todas minhas dívidas correntes
28.   Visitar Dany em Anápolis
29.   Visitar Ana no Sul
30.   Visitar Arthus em Fortaleza
31.   Visitar Carol no estado de São Paulo
32.   Comprar mapa mundi e marcar locais que irei visitar um dia
33.   Fazer aulas de fotografia.
34.   Me equipar: notebook, boa  impressora, datashow, som, hd externo
35.   Terminar de desenvolver uma palestra e realizá-la para um público pagante
36.   Fazer um novo "bailão"
37.   Me formar em terapia comunitária
38.   Ler o Alcorão e a Bíblia, de ponta a ponta
39.   Assistir as aulas de www.justiceharvard.org
40.   Atualizar meu cadastro no couchsurfing
41.   Dizer "eu te amo" para alguém (pra valer)
43.   Passar o carnaval em Recife
44.   Beijar na meia noite do ano novo
45.   Comer escargot
46.   Tomar um porre de tequila no meu aniversário de 30 anos
47.   Preparar um prato metido a besta com salmão
48.   Ver o nascer e o por do sol no mesmo dia
49.   Comer uma lagosta em Porto de Galinhas
50.   Ir a São Paulo com Igor
51.   Ir ao Universo Parallelo
52.   Pular de Bungee Jump
53.   Aumentar minha pontuação do TOEIC
54.   Terminar meu curso de francês
55.   Ler e fichar obras completas: Freud, Jung, Adler, Lacan, Skinner, Pavlov, Niestzche, Viktor Frankl, Sartre, Kierkegaard, Ausubel, Maslow, Rogers, Paul Ekman, Fritz Perls.
56.   Montar um quebra-cabeça
57.   Comprar um Play Station 3
58.   Ler 10 livros “obrigatórios”(ou de autores “obrigatórios”) que eu nunca li
59.   Descolar uma toalha escrito DON'T PANIC (em letras amigáveis) para comemorar o 25 de maio
60.   Tirar uma nova carteira de identidade
61.   Fazer um blog Um Ano em Imagens e participar do www.100strangers.com
62.   Passar um dia inteiro sem dizer uma única palavra
63.   Convidar uma desconhecida para um encontro
64.   Por minhas 101 músicas de "sing along" favoritas em um iPod e gastar uma tarde vagabunda ouvindo e cantando junto
65.   Acessar www.stereomood.com por uma semana e baixar as primeiras músicas sugeridas pra cada dia
66.   Aprender o básico de LIBRAS
67.   Escrever monografia sobre João Mohana
68.   Ir a um bar de karaokê e experimentar a humilhação pública
69.   Comprar um kit de narguilê novo
70.   Refazer meu guarda-roupa de uma vez só
71.   Colocar um salário inteiro na poupança
72.   Construir um daqueles mood boards/influence maps
73.   Escrever uma lista de coisas para fazer antes de morrer
74.   Ter minha sorte lida
75.   Escrever um e-mail para meu autor favorito
76.   Ficar acordado por 48 horas (dizem que depois dos 30 é simplesmente impossível)
77.   Ir em uma road trip pelo país com três amigos
78.   Aprender o básico de uma arte marcial
79.   Passar quinze dias em Pernambuco em um mês de junho
80.   Conversar, pra valer, com minha mãe
81.   Começar a investir
82.   Ver todos os dvds comprados e não assistidos (e não comprar mais até ter visto todos)
83.   Escrever uma nova lista para os próximos 1001 dias
84.   Ler Peanuts completo
85.    Fazer o design uma camiseta
86.   Encher meu cofre de moedas de 1 real
87.   Fazer um diário de sonhos por uma semana
88.   Completar os desafios hundredpushups.com e twohundredsitups.com
89.   Encher um Caderno de Esboços
90.   Narrar ou jogar em um grupo de rpg de mesa composto por pessoas não-virgens, maior de idade e que eu não fique com vergonha da história
91.   Escrever e-mails para as pessoas importantes da minha vida
92.   Fazer ménage à trois duas vezes, com as mesmas pessoas envolvidas nas duas ocasiões
93.   Pintar um compensado e usar como mesa
94.   Participar de um clube do livro ou algo do gênero (pode ser de filmes)
95.   Escrever o roteiro de uma história em quadrinhos
96.   Conhecer as Cataratas do Iguaçu
97.   Ir ao Rio
98.   Ir a Manaus
99. Ler os 10 livros de horror sugeridos por Stephen King em “Danse Macabre”
100. 6 meses sem comprar nada que não possa ser classificado como “essencial” no ponto de vista mais estrito.
101. Projetar minha própria agenda

10 julho 2011

Os Noturnos - Desafio Literário 2011



Preguiça de contar a história(?), vou colar a sinopse do site da autora:

Misterioso livro encontrado por André, na biblioteca do bairro, o leva ao antigo parque na esperança de satisfazer seu desejo mais secreto: conhecer um verdadeiro vampiro!

Outro dia comentei no blog de uma menina bonita que eu concordava que “Os Noturnos” tinha muitas idéias boas mal aproveitadas. Depois de terminar a leitura, retiro o que eu disse. Ele tem ALGUMAS idéias boas, terrivelmente aproveitadas.
Os nomes dos vampiros são americanos ou americanizados e o povo rouba dólar, embora claramente a história se passe no Brasil. O mocinho com “seu toque - vampirescamente reconhecível” dá nos nervos. Pior só mesmo as “poesias” no meio do livro. Nem quero mais falar disso.
Pode-se argumentar que é um livro infanto-juvenil – MAS Lewis, Monteiro Lobato e mesmo Rowling também são. Não é desculpa para uma literatura preguiçosa.
Houve um #fail na organização do DL ao incluir esse livro. O tema de julho é novos autores e a Flávia Muniz tem “20 anos de carreira, e mais de 3 milhões de livros vendidos”, e “Os Noturnos” foi, segundo a Veja, o livro mais lido na década de 90 nas escolas públicas brasileiras.
Infelizmente o site da autora promete que uma continuação será escrita.
Que venha Agosto, por favor!

Avaliação: um copo vazio, mas antes tinha uma daquelas tubaínas super doces que você não entende como você conseguia beber quando tinha 10 anos.

PS – O Eduardo Spohr, autor d’A Batalha do Apocalipse deu uma passada aqui no blog. Vocês podem ver o comentário dele na minha resenha d’A Batalha. Todo mundo sabe como é uma droga quando falam mal do nosso trabalho. E mais de um autor já bateu boca com leitores por causa de críticas. Lembro, por exemplo, da Anne Rice reagindo a críticas de leitores no site da Amazon a um livro dela uns tempos atrás. Já o Eduardo Spohr foi gracioso em seu comentário – vale conferir. Continuo não gostando do livro, mas a atitude dele me impressionou e ele já garantiu um leitor para o próximo livro.  

Um Homem e Seus Discípulos - Desafio Literário 2011



Me peguei com medo de estar me tornando um desses trolls virtuais, um internet hater. Ultimamente até de Shakespeare eu falei mal nas resenhas para o Desafio Literário (ok, de uma pecinha isolada de Shakespeare que não curti). Aí depois de um profundo exame de consciência (uns dois segundos, mais ou menos o tempo de terminar de amarrar o cadarço do sapato) decidi que não é verdade. Eu sempre fui chato, só estou sendo fiel a minha natureza.
Essa nota se faz necessária pq julho acabou sendo o mês mais decepcionante do Desafio Literário. O livro “Um Homem e Seus Discípulos” de César Romão narra uma história referente à vida de Jesus que é mantida em segredo por uma ordem misteriosa, e cujos mistérios estão encriptados em uma obra de arte medieval, de autoria de Leonardo Da Vinci. Você acha que já leu esse livro? Não, você leu um outro livro muito ruim. O do César Romão é pior.
Todas as pessoas no livro, independente da idade, nacionalidade ou dos dois mil anos que as separem de nós falam do mesmo jeito: como um palestrante motivacional. O que o autor efetivamente é. Eu tinha feito uma nota dizendo que o livro parecia com o Augusto Cury. Mas quando começou a parte “histórica” mudei de idéia e decidi que na verdade era o Og Mandino que tava sendo emulado. Com a diferença que o Og Mandino escreve muito melhor.
E quem eu acho na bibliografia do livro? O próprio Og! Sim, você leu certo, bibliografia. “Um Homem e Seus Discípulos” pertence à tradição dos romances com bibliografia (!!!), iniciada por Paulo Coelho em outro livro merecedor do tratamento fahrenheit 451, “O Monte Cinco”. Só que o Paulo Coelho também escreve melhor. Não muito.
Como brinde, os clássicos do cinema “Ben-Hur” e “O Manto Sagrado” são arruinados em dois capítulos do livro. Big Time Spoiler + Versão Tosca. Último aperitivo (só pra mostrar que eu é que sou chato mesmo): em dado momento um personagem tem os braços amarrados nas costas, no próximo parágrafo ele ERGUE O BRAÇO PARA O ROSTO DE OUTRO PERSONAGEM À SUA FRENTE. Bom, se Robison Crusoé pode nadar pelado até o barco e voltar com suprimentos nos bolsos, tá tudo bem.
Existe um número de livros que ficcionalizam histórias bíblicas, alguns de maneira ortodoxa, outros em interpretações mais livres ou irreverentes.  “O Livro de Deus” de Walter Wangerin, “Jesus” do mesmo autor, os dois volumes de “Cristo Senhor” da Anne Rice (a mesma de entrevista com vampiro e autora da crítica mais genial já feita à série Crepúsculo), “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” do Saramago, “Um Homem chamado Jesus” de Frei Betto (para quem não conhece, é um dos que podem ser considerados não-ortodoxos), “Ben-Hur” do William Wyler, e até mesmo a infame série “Operação Cavalo de Tróia” do J. J. Benitez (comecei isso aqui dizendo que eu sou chato). E se você quiser sociedades secretas tem o espetacular “O Pêndulo de Foucalt” do Umberto Eco ou até mesmo a droga do “Código da Vinci”, do Dan Brown (esse devia ter bibliografia, de tão chupado de outros livros). Ou seja: você não precisa do livro do César Romão.
Estou deprimido. Fui levado a recomendar Dan Brown e fazer um meio-elogio ao Paulo Coelho.
Avaliação: Um copo vazio. Só. E nem sequer um copo bonito.
PS - Uma recomendação: graças ao Desafio Literário utilizei esse mês pela primeira vez a Estante Virtual (www.estantevirtual.com.br) uma rede de sebos interligados eletronicamente. Livros a um valor muito razoável e os sebos com os quais negociei foram extremamente prestativos. Recomendo.

04 julho 2011

A Batalha do Apocalipse - Desafio Literário 2011


Em novembro do último ano fiz a lista de leitura para o Desafio Literário. Em dezembro eu já estava lendo a Batalha do Apocalipse, mais de seis meses de antecedência. Muitas expectativas.
Eduardo Spohr e o seu livro parecem unanimidade (o que é bom pq eu sempre posso me apoiar em Nelson Rodrigues). Foi um sucesso editorial totalmente inesperado, sendo fantasia escrita por um brasileiro etc.
Em uma entrevista que li, o autor afirma que a parte mais difícil é, efetivamente, escrever. Que ter boas idéias qualquer um tem – e preciso concordar com ele.
Criticar o trabalho dos outros é sempre muito fácil. Realizar o trabalho é que são elas.
Isto posto, detestei o livro.
Não totalmente. A cena no Cristo Redentor é bem bacana. Ponto.
Achei a trama sem graça e as cenas de ação pouco interessantes. Os personagens não tem apelo. A trama se arrasta praticamente por toda eternidade e ainda assim há apenas um punhado de personagens relevantes – e sem ressonância emocional.
Basta ler o livro e as referências saltam aos olhos, em especial Cavaleiros do Zodíaco – a qualquer hora tava vendo um anjo gritar “ME DÊ SUA FORÇA PÉGASUUUUUUUUSSSSSSS”.
Vezes demais, diga-se de passagem, senti que eu tinha lido os mesmos livros, visto os mesmos filmes e tido os mesmos passatempos nerds que o autor. Sei que referência e citação num trabalho de arte são uma coisa sutil. E é fácil a inspiração ficar com gosto de cópia e deixar o leitor desconfortável. Por exemplo, as castas dos anjos no livro, bem como suas “divindades” dão a impressão de você está lendo um suplemento de “Vampiro – A Máscara”.
Prefiro não comentar nenhuma parte específica aqui para não estragar a (possível) diversão de quem vá ler o livro.
Pelo menos ele prometeu não escrever uma continuação – embora o próximo livro vá se passar dentro do mesmo universo. Medo. 

Avaliação: Uma dose de vodka SKYY – a garrafa realmente te enche de expectativas, mas você passa melhor longe dela.