12 junho 2011

A Megera Domada - Desafio Literário 2011


Como estou tendo dificuldade em conseguir os livros que eu tinha me proposto a ler para esse mês, resolvi seguir com Shakespeare. A Megera Domada foi decepcionante. Não sei se dá pra generalizar para as demais comédias, mas certamente esta não chega nem perto dos textos dramáticos de Shakespeare.
O mote é interessante, e bem conhecido dadas as obras contemporâneas inspiradas pela peça como a novela “O Cravo e A Rosa” (guilty pleasure) e a comédia romântica “Dez coisas que eu odeio em você”. Um pai tem duas filhas, sendo a mais nova bela, gentil e doce e a mais velha uma megera intratável. E ele estabelece que antes da mais nova poder casar a mais velha precisa desencalhar primeiro. Como não aparece pretendente para uma mulher de língua tão afiada, os inúmeros pretendentes de Bianca, a filha mais nova, armam para arranjar um louco para casar com Catarina, a megera.
Petrúquio é pago pelos pretendentes de Bianca, e torna-se noivo e eventualmente marido de Catarina. O processo de domar Catarina é algo pavloviano. Não há grandes passagens literárias, nem personagens cativantes, nem situações especialmente cômicas (ri mais em Rei Lear, por exemplo). Há ainda a introdução que é completamente dispensável e desconexa com a peça – a idéia é que a história de Catarina e Petrúquio seria uma peça dentro da peça, sendo encenada para um bêbado que foi enganado para achar que é nobre – mas essa trama externa some ainda no primeiro ou segundo ato, não recebe resolução e é completamente dispensável à peça.
Se fosse a única coisa que eu tivesse lido de Shakespeare eu acharia que ele é tremendamente supervalorizado. Sob o risco de atrair a fúria eterna dos literatos: aluga o “10 things...” pra rever que vale mais a pena. Nem que seja pela cena do “I Love You Baby!”.

Avaliação: ¼ de xícara de chá com bolacha

5 comentários:

naomi disse...

eu também prefiro '10 coisas que odeio em você', mas em matéria de novela sou da época de 'a gata comeu' - sem contar um episódio especial de moonlighting [a gata e o rato, com bruce willis].

† Elaphar † disse...

Completamente sem humor "A Megera Domada" não é. Há passagens de verdadeira graça, uma espécie de jogo de linguagens quase infantil como em:

PETRUCHIO. [...]
[Enter Katherina]
Good morrow, Kate- for that's your name, I hear.
KATHERINA. Well have you heard, but something hard of hearing:
They call me Katherine that do talk of me.
PETRUCHIO. You lie, in faith, for you are call'd plain Kate,
And bonny Kate, and sometimes Kate the curst;
But, Kate, the prettiest Kate in Christendom,
Kate of Kate Hall, my super-dainty Kate,
For dainties are all Kates, and therefore, Kate,
Take this of me, Kate of my consolation-
Hearing thy mildness prais'd in every town,
Thy virtues spoke of, and thy beauty sounded,
Yet not so deeply as to thee belongs,
Myself am mov'd to woo thee for my wife.
KATHERINA. Mov'd! in good time! Let him that mov'd you hither
Remove you hence. I knew you at the first
You were a moveable.

Faltou você informar qual foi a tradução lida. Sua tradução foi a de Carlos Alberto Nunes, Millôr Fernandes, F.C. Cunha Medeiros, Barbara Heliodora ou Fernando Nuno?

Neiriberto disse...

Mal aí Elaphar, EU ACHEI SEM GRAÇA. Se chama opinião pessoal ;)

li no original, mal ai de novo.

Lyani disse...

Eu assisti a peça primeiro, em São Paulo com ótimo elenco. Depois é que fui atrás do livro, e talvez por isso eu tenha gostado tanto de A Megera Domada. É engraçada sim, mas como eu disse, pode ser pq eu lia lembrando das cenas da peça que assiti!
Abraço!

Vivi disse...

Cara, vou ler para dar minha opinião. Mas, das tramas filmescas e novelescas baseadas na obra, eu gosto muiiiito. Bjs