25 abril 2011

Duna - Desafio Literário 2011


Como parece acontecer freqüentemente com séries de fantasia e ficção científica, Duna é um livro de culto. Ou a galera nunca ouviu falar ou adora o livro e fala dele com os olhos brilhantes como se tivesse consumido especiaria demais. Confesso que, para mim, a história demorou a engrenar. Se eu não tivesse me comprometido a ler o livro inteiro para o Desafio teria desistido nas primeiras cem páginas e colocado na minha lista negra. Mas vale a pena o esforço. Lá pra depois da página 200 as coisas engrenam.
Duna é como é conhecido o planeta Arrakis, um mundo coberto por imensos desertos – mas de extrema importância econômica por ser o único planeta produtor da especiaria, que aumenta a longevidade dos que a consomem. A história apresenta os problemas típicos de uma Space Opera, como personagens pouco envolventes ou mal desenvolvidos. E também algumas das qualidades típicas do gênero, como um tremendo impacto visual.
A riqueza do livro está nas configurações sociais, políticas, religiosas e culturais que Frank Herbert dá ao seu universo. Há um império galáctico com uma organização de casas feudais – cada planeta sendo um feudo e as casas podendo possuir diversos feudos. Os senhores feudais atendem por títulos diversos de nobreza como barão, conde ou duque. As viagens interplanetárias são um monopólio da companhia CHOAM, que, como qualquer monopólio econômico que se presa, cobra as taxas de transporte que lhe apraz. Os aspectos religiosos são uma constante do livro, mas é difícil comentar sem entregar uma boa parte da história.
O filho do novo duque é forçado a viver no deserto inóspito, onde os grandes Vermes de Areia garantem a morte aos desavisados que escaparem da desidratação. Água é o bem mais precioso no planeta-deserto. Os primeiros contatos do filho do duque com o povo do deserto é uma das melhores partes do livro, o choque cultural é descrito de maneira vívida. O rito funerário do povo do deserto é minha cena favorita.
O autor foi feliz ao considerar como a vida em um planeta com tão pouca água impactaria todos os aspectos de uma cultura, desde sua tecnologia até seus ditados e expressões, da maneira de um homem cortejar uma moça e mesmo na importância de se chorar por alguém.
Avaliação: ¾ de um copo de água gelado num dia quente.

2 comentários:

freyasigel disse...

Nossa, fiquei com medo agora, só a partir da página 200!! /o\

Talvez um dia eu leia...

Beijos

Vivi disse...

Esse quantitativo aí exposto não é lá muito animador. Mas a refrescância da água gelada no dia quente redime e salva o livro da minha lista de não-desejos.

Bjs