06 abril 2011

Da Ditadura do Hábito


A Primeira Lei de Newton é conhecida como Princípio da Inércia.

"Todo corpo permanece em seu estado de repouso ou de movimento retilíneo e uniforme, a menos que seja obrigado a mudar seu estado por forças a ele impressas."

Na ausência de outras forças (externas?) que atuem sobe um dado corpo, este, se em repouso, tende a permanecer em repouso e em movimento tende a permanecer em movimento. Ouvi dizer que segundo a Relatividade até a própria energia sofreria inércia.
Muita gente já deve ter topado com a expressão “Zona de Conforto” – faz parte do vocabulário corrente da psicologia-pop. Trata-se da nossa bendita acomodação, que muitas vezes nos mantêm em lugares (não somente no sentido físico) que não nos agradam pela pura força do hábito.
Todo mundo já se pegou nessa situação. Todo mundo conhece alguém preso em um relacionamento sem nenhum sentido – ou seja, sem motivos financeiros, afetivos, ideológicos, religiosos, familiares ou sexuais que mantenham o casal junto. Mas as pessoas permanecem ali. Ou num emprego, ou numa atividade, ou no que quer que seja.
O personagem interpretado por Brad Pitt no Clube da Luta tinha uma fala que era mais ou menos assim e que exprime mais ou menos isso: trabalhando em empregos que não suportamos para comprar coisas que não queremos.
Ok, talvez a frase não seja nada assim, mas o espírito é esse.
Se fala muito em medo de mudar e de enfrentar a mudança, e, embora seja factual que o medo deve fazer parte dessa equação de acomodação estupidificante, fico pensando que não é bem por medo. É por inércia.
Inércia Existencial que nos prende no lugar que estamos como um empuxo gravitacional. Uma força que racionalizamos como prudência, medo, necessidade. As vezes chamamos de bom senso. Outras de comodidade.
Para permanecer na metáfora da gravidade: um foguete para vencer a atração gravitacional precisa tanto de um formato com a aerodinâmica apropriada quanto queimar uma quantidade colossal de combustível.
Para escaparmos da inércia da vida provavelmente também se faz necessário uns re-arranjos no nosso design espiritual. E, principalmente, queimar um monte de coisas.
Burn baby, burn


Um comentário:

...loucos apontamentos disse...

Já começou a fazer a fogueira?
Talvez não precisemos vencer a força gravitacional, mas sim mudar a polarização(como se fosse tão mais fácil lidar com as forças eletromagnéticas do que com a gravitacional). Enfim. Quando a fogueira estiver pronta me chama.