31 março 2011

Os Irmãos Karamazov - Desafio Literário 2011


“Os irmãos Karamazov [é a] obra na qual [Dostoievski] atinge o auge de seu estilo e onde sintetiza seu pensamento acerca do homem, de Deus e do mundo” – minha amiga filósofa, na monografia fodástica dela que teve Dostoievski como um dos temas.
Primeiro um testemunho pessoal: me enrolei nas leituras desse mês e o Desafio Literário, no tocante aos Irmãos Karamazov, foi na verdade uma maratona literária. Lido em 4 dias! E sim, eu comi, tomei banho e trabalhei nesses dias. Não, eu não dormi, mas dormir é para os fracos.
É tremendamente injusto resenhar Dostoievski, ainda mais Os Irmãos Karamazov. Há três irmãos e um pai relapso. E há um crime, afinal é um romance russo. E há diálogos imensos, afinal é um romance do século XIX. E é tudo tremendamente bom. Não faz sentido falar da trama (das tramas?) pq o mais importante em Dostoievski são os personagens.
Ele os constrói aos poucos, mas todos eles terminam por tornarem-se tridimensionais, com pulsões, desejos, crenças, angústias, paixões, dúvidas, amarguras. Você percebe como cara é um gênio quando lá pras muitas no livro aparece um cachorro. O bendito cachorro, que é um figurante do figurante na história e tem uma participação mínima na mesma, é mais bem desenvolvido, tem mais profundidade e leva a mais reflexões do que os personagens de dezenas de outros livros (se vc considera saga de vampiro viado como livro, pode usar centenas na frase anterior).
Depois de você superar a dificuldade com os apelidos e diminutivos dos nomes dos personagens, que parecem desconexos para nossos olhos/ouvidos ocidentais, tudo vai bem na leitura.
Por maior que seja a variedade de situações na narrativa, ela nunca fica monótnoa. Por mais que o autor demore a retomar a seqüência dos fatos de uma trama, isso não incomoda pq o que se passa ali, naquele momento da história, é igualmente envolvente.
Também acho genial o timing de Dostoiévski, sempre que o leitor tem elementos suficientes para começar a supor algo na trama o autor se adianta e traz essa revelação à tona ao leitor – mostrando, que no final, nossa suposição nem era tão original nem tão relevante como gostaríamos de supor.
Um Dostoiévski vale por um punhado de livros de teologia, filosofia e psicologia juntos. Ler Os Irmãos Karamazov é mais que fruição literária, é uma jornada existencial.

Avaliação: Um porre homérico de Absolut!

3 comentários:

Andreia disse...

Esse foi mais que um desafio! Um texto sucinto e preciso sobre a obra, no melhor estilo neiriberto de escrever. O desafio pra mim agora é saber como tu conseguiu, porque quando li, tive que parar mil vezes devido a ocorrência frequente de crises existenciais ^^
amo tu

Mi Müller disse...

Báh eu ainda não li "os irmãos karamazov" agora fiquei com a maior vontade, também tua resenha não deixa espaço para dúvidas quanto à genialidade que encontrarei no texto.

...loucos apontamentos disse...

Aos 48 do segundo tempo ein!?
Parabens!