28 março 2011

O Lobo das Planícies - Desafio Literário 2011


Pro bem e pro não-tão-bom, O Lobo das Planícies é um livro cinematográfico. A leitura é ágil e divertida. Os costumes e a cultura da mongólia de séculos atrás dão um colorido peculiar à história, mas nunca comprometendo o entendimento, o ritmo ou a empatia do leitor. É um livro de se ler nas férias de janeiro, deitado na rede. Seria um excelente blockbuster de verão.

Conn Iggulden se propõe a contar em sua trilogia O Conquistador a história de Gêngis Kan. Sendo O Lobo das Planícies o primeiro volume, ele narra a infância e a adolescência de Temujin, e o início de sua idade adulta quando ele decide que será Cã de todas as planícies da Mongólia, o mar de capim chamado de Gêngis.

O livro é extremamente visual, e o corte entre as cenas é muito orgânico. Quase como em um filme, o autor faz os olhos de nossa imaginação moverem-se de um ponto a outro como uma câmera deixando Temujin para acompanhar a súbita disparada pelos campos da menina que ele observava instantes antes.

Devido a essa característica de cinema-diversão, muita complexidade é evitada. A maioria dos conflitos é resolvido com velocidade e as tramas não se arrastam. É comum um personagem explicar pra outro - e conseqüentemente para o leitor - o que vai acontecer em seguida, ou o que esperar de certa ação e do comportamento de certa pessoa na história. E isso mantem a leitura livre de dúvidas e complicações.

O próprio autor reconhece em notas no fim do livro que mudou nomes de personagens, e também os perpetradores do rapto da esposa de Temujin, e mesmo qual foi o irmão do protagonista que o ajudou em uma emboscada crucial na história, tudo a fim de preservar a clareza e simplicidade da narrativa. Esses pequenos desvios não comprometem a diversão, mas o livro tende a ser maniqueísta. Como um bom filme de verão, que todo mundo assiste em certo ano e que depois no máximo rende uma boa Tela Quente.

Bom livro, mas longe de ser essencial. Se tiver oportunidade lerei as continuações - como se tivesse zapeando e acabasse topando com Jurassic Park 3. Mas se não, provavelmente não vou nem lembrar de procurar.


Avaliação: Uma tigela três quartos cheia de airag! (e só um gole de leite de égua misturado com sangue)

2 comentários:

Vivi disse...

kkkk...tenho interesse em ver como é. Mas,até hoje, não me lembrei de procurar...
Como sempre, me divirto pacas vindo aqui.

Beijocas

Victor Freitas disse...

Você teria que ler a continuação, o primeiro livro narra as histórias de Temujin nas infância, ele e seus 3 irmãos e sua irmã, ele conta como foi sua infância, adolecência até se tornar um jovem adulto. O primeiro livro é como uma entrada de restaurante, no final, convidando o leitor a ler a continuação. Estou no quarto livro de cinco, e digo que vale a pena.

Os fatos históricos e as tramas contadas por Conn, me fizeram entrar em um mundo desconhecido, um povo do qual passei a admirar. Os livros não conta somente sobre o Império Mongol que foi duas vezes maior que o Romano, eles falam sobre uma nação unida por um homem, cujo objetivo era tirar o pé da garganta de seu povo, que por séculos esteve sobre o domínio jin (China).

Enfim, o estilo de vida mongol, seus valores e tradições trazem uma inspiração "implacável".