23 janeiro 2011

A Fantástica Fábrica de Chocolate - Desafio Literário 2011


E assim se completa a tríade do Desafio para o mês de janeiro, literatura infanto-juvenil. Pra quem nunca assistiu os filmes, um pouco de contexto: o livro conta a história de Charlie, um menino extremamente pobre que é uma das cinco crianças do mundo a encontrar um Cupom Dourado dentro de uma das barras de chocolate da fábrica do Sr. Wonka - maior fabricante de chocolates do mundo. Os "achadores" dos cupons são convidados a fazer uma visita à misteriosa fábrica, ciceroneados pelo próprio Sr. Wonka. Há mais de dez anos a fábrica continua em funcionamento, mas ninguém nunca vê um operário entrar ou sair da fábrica - apenas sombras muito peculiares são percebidas a noite através das janelas do grande prédio.

O livro é curto, pouco mais de oitenta páginas. Quanto às trinta primeiras, bom, tem certo mojo nelas. Mesmo sabendo-se que Charlie, nosso herói, eventualmente encontrará um dos benditos cupons dourados o autor usa bem essas primeiras páginas. Faz o leitor empatizar e se importar com Charlie e sua família. Fica-se ansioso cada vez (poucas, na verdade) que Charlie abre um chocolate na esperança de encontrar um cupom premiado, e dá até pra compartilhar um pouco da alegria eufórica de vôvô José quando finalmente o cupom vem.

Daí em diante é ladeira abaixo.

Se você viu um dos filmes (grande possibilidade) já sabe o que vai acontecer, e somado a isso a escrita perde um bocado do seu vigor. A eliminação das outras crianças durante o passeio (parte moralista, parte caso dos dez negrinhos, parte big brother) é chata e redundante.

Willie Wonka, depois da expectativa criada nas primeiras páginas, revela-se um personagem plano. E chato.

Avaliação: Copo de Tang Uva, 2/3 vazio.

22 janeiro 2011

Contos dos Irmãos Grimm - Desafio Literário 2011


O mundo não é um lugar seguro. Os contos de fada, ao contrário das fábulas, não são fundamentalmente didáticos. Seu objetivo é o entretenimento. Então eles estão cheios de aventura, mágica, poesia e medo. Como ouvimos as histórias coletadas pelos irmãos Grimm à exaustão - muitas vezes nas versões musicais-cuti-cuti da Disney - esquecemos do que tem de medonho nos contos de fadas.

Se os contos de fadas fossem reportagens nos tablóides 2S (Sexo & Sangue) que pululam no país, as manchetes poderiam ser mais ou menos assim: MULHER ENVENENA ENTEADA POR INVEJA! ANIMAL SELVAGEM INVADE CASA E DEVORA AVÓ E NETA! Há rainhas negociando seus filhos não nascidos com duendes e madrastas assassinando enteados e os servindo cozidos como jantar para o marido. O medo fascina.

O mundo ordeiro e cartesiano das fábulas com ação e reação e bom senso e segurança não é o mundo dos contos de fadas. Nos contos de fadas há algo no escuro. Algo com presas.

Enquanto eu crescia sempre houve livros de contos de fada ao alcance da mão, na casa do meu avô, da tia, ou jogados em algum lugar lá em casa. Lembro que eram livrões, edições antigas, com ilustrações com cores sóbrias, arte quase renascentista, e texto de letras miúdas. E lembro que quando os lia a sensação era esse misto de medo e embevecimento, que faz você continuar lendo e indo em frente. talvez praticando um pouco de catarse. Ninguém nunca explicou totalmente pq gostamos de sentir medo.

Li os contos dos irmãos Grimm de uma sentada, como se diz. E foi assim: fascinante.


Avaliação: Um copo cheio de coca-cola gelada e meio pacote de negresco

18 janeiro 2011

Fábulas de La Fontaine - Desafio Literário 2011



Em uma batalha entre dois dragões bestiais o que tinha cem caudas e uma cabeça sobrepujou a hidra de cem cabeças e uma única cauda. O rouxinol tenta convencer a ave de rapina faminta a não devorá-lo por causa do valor de sua rte - termina no papo do esfomeado. O rato do campo visita seu primo na cidade e chega à conclusão que os luxos não compensam o viver sobressaltado pela ameaça do gato. Um leão velho e enfermo, incapaz de se defender sofre a vingança dos outros bichos que o espancam, mas quando o burro se aproxima o velho felino prefere morrer a ser injuriado por um animal tão tolo.

Li as Fábulas de La Fontaine em uma edição em dois volumes da Landy Editora (nunca tinha ouvido falar dela antes). O projeto gráfico é genial e a seleção das traduções ("por poetas portugueses e brasileiros") é um trabalho ainda melhor. Algumas das fábulas traduzidas têm um ritmo que pedem para serem lidas em voz alta, outras tem a batida de boa literatura de cordel.

Como o próprio La Fontaine diz em uma das fábulas, fábula tem que ter moral. Cada história tem uma "lição de vida". E é a parte da "vida" que me deixou mais atraído pelo material.

Nos nossos tempos contemporâneos pós-modernos politicamente corretos moralmente relativistas e fundamentalmente inconsistentes e incongruentes, La Fontaine é um sopro de bom senso. Bom senso escorre em cada página. O tipo de conselho que meu avô daria, com aquela solidez característica que advém do teste do tempo. Mui diferente dessa papa insossa das discussões éticas pseudo-filosóficas das acadêmicas torres de marfim e dos construtos psico-sócio-teo-diaboaquatrológicos.

Divertido e tremendamente instrutivo.

Avaliação: Caneca de Chocolate Quente 4/5 cheia

15 janeiro 2011

Dumb Love Virus Spreads!


Acabei de declarar oficialmente Janeiro de 2011 como o Dumb Love Month.

Não, o fela-da-puta que te trocou por uma garota babaca pq vc era "perfeita demais pra ele" não é "um fofo";

Sua ex-namorada que possivelmente te corneou não vai se roer de remorsos se você confrontá-la com esse boato e ela não vai rastejar de volta pra vc por causa disso;

O cara casado que "acidentalmente" esbarra em você numa cidade de um milhão de habitantes, que gosta das mesmas coisas que vc e toca gaita não é o mocinho de uma comédia romântica, é um stalker mesmo;

Não, a guria de 17 anos que você anda comendo não é madura pra idade dela, ou talvez seja, mas ser madura pra idade dela só quer dizer que ela é imatura - e sim, nessa idade, ainda é estupro presumido;

Sabe pq ele não ligou nos últimos três meses depois de dizer que não queria nada com você? É pq ele NÃO QUER NADA COM VOCÊ;

Voltar a fazer sexo com a sua ex psicótica maníaca por controle não é dumb. Só querer fazer sexo com ela numa cidade de um milhão de habitantes e onde há dançarinas do ventre já é outra questão;

O dódói que depois de uma conversa na internet já se considera padrasto de suas filhas e imagina vocês morando juntos numa casinha no campo não é carente e romântico, é dódói mesmo;

Sabe quando ele diz que tem uma namorada e que ama ela? Então, não quer dizer que ele realmente a ame, ou mesmo que eles sequer estejam namorando, mas quer dizer que não deu pra você. Mesmo;

Bom, mas foi declarado Mês do Amor Estúpido, então seja feliz! =)