17 dezembro 2009

Conversa de Elevador



Supostamente os homens, em algum ponto da suposta linha evolutiva, tinham o suposto hábito, como os cachorros, de urinar para marcar seu território (mais ou menos como alguns adolescentes ainda fazem no muro da casa das namoradas romanticamente escrevendo o nome delas com jatos compostos de 95% de água, 2 % de uréia e 3% de fosfato, sulfato, amônia, magnésio, cálcio, ácido úrico, creatina, sódio, potássio e otras cositas).



Esse território-mijado teria se modificado ao longo dos milhares e milhares de anos tomando a forma, mais civilizada e limpinha, do espaço psíquico (ou qualquer outra nomenclatura vigente) do homem contemporâneo. Ou seja, tem uma distância que é seu espaço (seu círculo mágico se quiser usar outra nomenclatura vigente em grupos amigos de certos fungos felizes). Entrar nesse espaço só é permitido aos íntimos.



E eis que a modernidade trás, entre as suas diversas interações forçosas, o elevador. Onde seus círculos mágicos se sobrepõe e seus espaços invadem e são invadidos sem a menor cerimônia aos círculos mágicos e espaços de uma porção de estranhos. Por isso, talvez, andar num elevador com desconhecidos seja uma experiência levemente desconfortável para quase todo mundo. E emocionante.



Quase todo mundo tenta evitar contato visual (ou qualquer contato, se possível) dentro de um elevador. A experiência em si é emocionalmente mobilizante – embora, claro, não num nível extremo.


Mas você consegue lembrar quando entrou uma pessoa realmente atraente no elevador em que você se encontrava? Tenho a impressão que as pessoas são mais suscetíveis a paixões fulminantes (ou pelo menos a cócegas mais intensas em certas regiões) se o estímulo – pessoa extremamente atraente do sexo oposto - se apresenta num contexto emocionalmente movimentado (esse monte de gente apinhado, pisando nas poças de urina pré-históricas uns dos outros).



Um amigo meu, que pensa em morrer quando entra num elevador e se esses estranhos vão ser as últimas pessoas que ele vai ver (o que, nota-se, deixa ele num estado ainda mais emocionalmente suscetível do que a média das pessoas), teve um insight muito interessante sobre esse fenômeno: ambiente emocionalmente chacoalhado somado à pessoa do sexo oposto resultando em atração fora dos padrões comuns.



Em um determinado desenho japonês “uma personagem fala sobre o efeito da ponte suspensa. Tal efeito aconteceria quando uma pessoa atravessa uma ponte olhando para outra do sexo oposto (ou não) e se apaixona. Como? Simples pareamento de estímulos: a aceleração das batidas do coração causada pelo medo de cair da ponte é associada à visão daquela pessoa, causando o que chamamos de paixão.”



Faz sentido aplicar a mesma lógica a experiência dos elevadores. A Sandra Bullock diz pro Keanu Reeves em Velocidade Máxima que não se pode confiar em relações que começam em contextos de emoções intensas, pq confundimos o desassossego emocional do contexto com a pessoa ao nosso lado, e essas relações estariam, portanto, fadadas ao fracasso.



Acho que o mais útil (além de descobrir que trepar em banheiros de faculdades que fedem mais do que uma manada de gambás com caganeira ou realizar tal ato libidinoso – trepar – equilibrando-se sabe-se lá como de pé sobre uma rede faz parte do arcabouço de perversões desse amigo) é pensar como esse truque do cérebro, transferir sem justificativa plausível uma emoção de determinada situação para a outra, pode ser usado ao nosso favor.



Fazer algo que você goste para se motivar no trabalho, se apaixonar e melhorar sua relação com todas as pessoas, ou levar um chifre e criar uma obra prima da música sertaneja.



Confira o post original em: http://nerdshots.blogspot.com/




Pra quem ainda não tem o privilégio duvidoso de conhecer Salvador, esse é o Elevador Lacerda, mais informações checar a pitonisa: http://pt.wikipedia.org/wiki/Elevador_Lacerda



2 comentários:

Marcos Cordeiro disse...

fico muito lisonjeado em ser citado no teu post. Devíamos fazer pesquisa em comportamento humano nos elevadores xD

Marvyn Andrade disse...

Ansatsu, cap 74.