31 dezembro 2009

Que o ano que chega



Que o ano que chega seja cheio de caminhos novos, e novos sonhos, e pessoas novas (literal e metaforicamente), e novas conquistas, e desafios novos. E novas frustrações - pq quer dizer que se tentou coisas novas, e, por esse mesmo motivo, novos erros; e por motivos similares novas lágrimas e novos desassossegos. E novas esperanças, afetos novos e desejos, só pra frisar, desejos novos. E novas piadas, uma fé nova (ou renovada que é como se fosse novo) e, se surgir, um novo amor, uma loucura nova, e, quiçá, até uma cidade nova. Novos calos nos pés. Suor novo! Quase me esqueço, suor novo é fundamental. Mesmo que seja só de trabalho novo. |;)



PS – não deixem de acompanhar a partir de 01/01/2010: www.6mesesdetorcicolo.blogspot.com

Aos amigos


Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter o brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero respostas, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero os risos previsíveis, nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Atribuído a Oscar Wilde

25 dezembro 2009

Ao Alto Conselho! Salute!



Minhas fotos costumam acompanhar meu nível de sobriedade...

Ar da Montanha, para os ainda semi-puros e incautos!

24 dezembro 2009

Campos de Trigo



Mesmo quando deixo o blog abandonado, sempre posto nos feriados principais (Páscoa, Dia Internacional de Neiriberto, Ano Novo e Natal). Mas hoje tô com um bloqueio – coisa chique, me faz parecer escritor de verdade.

O fato é que não sei o que dizer ou o que quero dizer.

Ou se se tem o que dizer.

Duas vezes agora esse mês o pequeno príncipe ressurgiu na minha vida – acho uma pena ele ter se tornado livro de miss. Sabia que eu atuei numa montagem de escola do pequeno príncipe? No século passado, claro. Fui super bem. Eu fazia o rato. Que rato? Aquele do planeta que só tinha o rei e um monte de ratos. Ok, nevermind.

Minha parte favorita (e de um monte de gente que lê o livro) é quando ele, o principezinho, conhece a raposa e esta pede pra que ele a cative. Ele diz que não tem tempo, tem lugares a conhecer e amigos a fazer. Você só faz amigos de verdade quando os cativa, retruca a raposa.

- E o que é cativar?

- Eu não como pão. Os campos de trigo pra mim não tem serventia alguma, nem me dizem nada. Mas se tu me cativas, quando olhar pros campos de trigo ficarei feliz, pq eles são dourados, e seus cabelos são dourados como os campos de trigo, então quando eu ver os campos me lembrarei de ti. E ficarei feliz pq serás importante pra mim.

Desejo que hoje você possa se lembrar de um monte de coisas que um ano atrás não tinham nenhum significado pra você e que te fazem feliz só de você olhar pra elas, pq elas te recordam que esse ano você não só sobreviveu, mas cativou e foi cativado.

hoje é um dia especial pq lembra que um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e seu nome é maravilhoso...


17 dezembro 2009

Conversa de Elevador



Supostamente os homens, em algum ponto da suposta linha evolutiva, tinham o suposto hábito, como os cachorros, de urinar para marcar seu território (mais ou menos como alguns adolescentes ainda fazem no muro da casa das namoradas romanticamente escrevendo o nome delas com jatos compostos de 95% de água, 2 % de uréia e 3% de fosfato, sulfato, amônia, magnésio, cálcio, ácido úrico, creatina, sódio, potássio e otras cositas).



Esse território-mijado teria se modificado ao longo dos milhares e milhares de anos tomando a forma, mais civilizada e limpinha, do espaço psíquico (ou qualquer outra nomenclatura vigente) do homem contemporâneo. Ou seja, tem uma distância que é seu espaço (seu círculo mágico se quiser usar outra nomenclatura vigente em grupos amigos de certos fungos felizes). Entrar nesse espaço só é permitido aos íntimos.



E eis que a modernidade trás, entre as suas diversas interações forçosas, o elevador. Onde seus círculos mágicos se sobrepõe e seus espaços invadem e são invadidos sem a menor cerimônia aos círculos mágicos e espaços de uma porção de estranhos. Por isso, talvez, andar num elevador com desconhecidos seja uma experiência levemente desconfortável para quase todo mundo. E emocionante.



Quase todo mundo tenta evitar contato visual (ou qualquer contato, se possível) dentro de um elevador. A experiência em si é emocionalmente mobilizante – embora, claro, não num nível extremo.


Mas você consegue lembrar quando entrou uma pessoa realmente atraente no elevador em que você se encontrava? Tenho a impressão que as pessoas são mais suscetíveis a paixões fulminantes (ou pelo menos a cócegas mais intensas em certas regiões) se o estímulo – pessoa extremamente atraente do sexo oposto - se apresenta num contexto emocionalmente movimentado (esse monte de gente apinhado, pisando nas poças de urina pré-históricas uns dos outros).



Um amigo meu, que pensa em morrer quando entra num elevador e se esses estranhos vão ser as últimas pessoas que ele vai ver (o que, nota-se, deixa ele num estado ainda mais emocionalmente suscetível do que a média das pessoas), teve um insight muito interessante sobre esse fenômeno: ambiente emocionalmente chacoalhado somado à pessoa do sexo oposto resultando em atração fora dos padrões comuns.



Em um determinado desenho japonês “uma personagem fala sobre o efeito da ponte suspensa. Tal efeito aconteceria quando uma pessoa atravessa uma ponte olhando para outra do sexo oposto (ou não) e se apaixona. Como? Simples pareamento de estímulos: a aceleração das batidas do coração causada pelo medo de cair da ponte é associada à visão daquela pessoa, causando o que chamamos de paixão.”



Faz sentido aplicar a mesma lógica a experiência dos elevadores. A Sandra Bullock diz pro Keanu Reeves em Velocidade Máxima que não se pode confiar em relações que começam em contextos de emoções intensas, pq confundimos o desassossego emocional do contexto com a pessoa ao nosso lado, e essas relações estariam, portanto, fadadas ao fracasso.



Acho que o mais útil (além de descobrir que trepar em banheiros de faculdades que fedem mais do que uma manada de gambás com caganeira ou realizar tal ato libidinoso – trepar – equilibrando-se sabe-se lá como de pé sobre uma rede faz parte do arcabouço de perversões desse amigo) é pensar como esse truque do cérebro, transferir sem justificativa plausível uma emoção de determinada situação para a outra, pode ser usado ao nosso favor.



Fazer algo que você goste para se motivar no trabalho, se apaixonar e melhorar sua relação com todas as pessoas, ou levar um chifre e criar uma obra prima da música sertaneja.



Confira o post original em: http://nerdshots.blogspot.com/




Pra quem ainda não tem o privilégio duvidoso de conhecer Salvador, esse é o Elevador Lacerda, mais informações checar a pitonisa: http://pt.wikipedia.org/wiki/Elevador_Lacerda