22 maio 2009


Estava pensando em algo quase poético e a coisa mais forte que me veio foi a expressão “mulher de malandro”. Vê-se como não-anda a poesia deste que vos escreve.  A quem possa não estar familiarizado com a expressão, mulher de malandro é aquela que o marido vai pra zona, chega em casa fudido fedendo a puteiro com mancha de batom em lugares obscuros vomita no meio da sala e a mulher ainda vai cuidar dele. O cara apronta, faz barraco, bate na criatura, e ela ainda fica lambendo o chão que ele pisa. Pô, absurdo, as pessoas precisam se dar ao respeito valorizar etc etc papo politicamente correto pseudo-moral banal e babaca que a gente repete e se doutrina sem nem perceber.

Pessoalmente, acho que todo mundo é mulher de malandro para alguém (normalmente para alguéns).

Tem um punhado de gente nessa vida a quem, pelas razões mais diversas e incompreensíveis, somos completa, absoluta e totalmente vulneráveis. A criatura pode aprontar o que for e deixar a gente puto. E a gente vai continuar arriado os quatro pneus e o estepe, basta o ser dar um sorriso de canto de boca, fazer cara de cachorro na chuva ou ajeitar o cabelo por trás da orelha como só ela faz que a gente se entrega. É como a porquera da kriptonita. E, claro, não falo aqui só de um contexto romântico. E, claro, que muito dessas relações pode ser uma coisa muito ruim. Mas muito do “ruim” nesse processo vem do desgaste mental de lutar contra essa nossa vulnerabilidade.

Pessoalmente, sou totalmente vulnerável a você. E que se dane.

2 comentários:

...loucos apontamentos disse...

Ok os exemplos de vulnerabilidade me renderam alguns flash backs. Saudades.

Anônimo disse...

Vúlnerável... Difícil de conter ou "domar" as emoções e reações que que se originam deste "estado" de vulnerabilidade...