31 dezembro 2009

Que o ano que chega



Que o ano que chega seja cheio de caminhos novos, e novos sonhos, e pessoas novas (literal e metaforicamente), e novas conquistas, e desafios novos. E novas frustrações - pq quer dizer que se tentou coisas novas, e, por esse mesmo motivo, novos erros; e por motivos similares novas lágrimas e novos desassossegos. E novas esperanças, afetos novos e desejos, só pra frisar, desejos novos. E novas piadas, uma fé nova (ou renovada que é como se fosse novo) e, se surgir, um novo amor, uma loucura nova, e, quiçá, até uma cidade nova. Novos calos nos pés. Suor novo! Quase me esqueço, suor novo é fundamental. Mesmo que seja só de trabalho novo. |;)



PS – não deixem de acompanhar a partir de 01/01/2010: www.6mesesdetorcicolo.blogspot.com

Aos amigos


Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter o brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero respostas, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero os risos previsíveis, nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Atribuído a Oscar Wilde

25 dezembro 2009

Ao Alto Conselho! Salute!



Minhas fotos costumam acompanhar meu nível de sobriedade...

Ar da Montanha, para os ainda semi-puros e incautos!

24 dezembro 2009

Campos de Trigo



Mesmo quando deixo o blog abandonado, sempre posto nos feriados principais (Páscoa, Dia Internacional de Neiriberto, Ano Novo e Natal). Mas hoje tô com um bloqueio – coisa chique, me faz parecer escritor de verdade.

O fato é que não sei o que dizer ou o que quero dizer.

Ou se se tem o que dizer.

Duas vezes agora esse mês o pequeno príncipe ressurgiu na minha vida – acho uma pena ele ter se tornado livro de miss. Sabia que eu atuei numa montagem de escola do pequeno príncipe? No século passado, claro. Fui super bem. Eu fazia o rato. Que rato? Aquele do planeta que só tinha o rei e um monte de ratos. Ok, nevermind.

Minha parte favorita (e de um monte de gente que lê o livro) é quando ele, o principezinho, conhece a raposa e esta pede pra que ele a cative. Ele diz que não tem tempo, tem lugares a conhecer e amigos a fazer. Você só faz amigos de verdade quando os cativa, retruca a raposa.

- E o que é cativar?

- Eu não como pão. Os campos de trigo pra mim não tem serventia alguma, nem me dizem nada. Mas se tu me cativas, quando olhar pros campos de trigo ficarei feliz, pq eles são dourados, e seus cabelos são dourados como os campos de trigo, então quando eu ver os campos me lembrarei de ti. E ficarei feliz pq serás importante pra mim.

Desejo que hoje você possa se lembrar de um monte de coisas que um ano atrás não tinham nenhum significado pra você e que te fazem feliz só de você olhar pra elas, pq elas te recordam que esse ano você não só sobreviveu, mas cativou e foi cativado.

hoje é um dia especial pq lembra que um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e seu nome é maravilhoso...


17 dezembro 2009

Conversa de Elevador



Supostamente os homens, em algum ponto da suposta linha evolutiva, tinham o suposto hábito, como os cachorros, de urinar para marcar seu território (mais ou menos como alguns adolescentes ainda fazem no muro da casa das namoradas romanticamente escrevendo o nome delas com jatos compostos de 95% de água, 2 % de uréia e 3% de fosfato, sulfato, amônia, magnésio, cálcio, ácido úrico, creatina, sódio, potássio e otras cositas).



Esse território-mijado teria se modificado ao longo dos milhares e milhares de anos tomando a forma, mais civilizada e limpinha, do espaço psíquico (ou qualquer outra nomenclatura vigente) do homem contemporâneo. Ou seja, tem uma distância que é seu espaço (seu círculo mágico se quiser usar outra nomenclatura vigente em grupos amigos de certos fungos felizes). Entrar nesse espaço só é permitido aos íntimos.



E eis que a modernidade trás, entre as suas diversas interações forçosas, o elevador. Onde seus círculos mágicos se sobrepõe e seus espaços invadem e são invadidos sem a menor cerimônia aos círculos mágicos e espaços de uma porção de estranhos. Por isso, talvez, andar num elevador com desconhecidos seja uma experiência levemente desconfortável para quase todo mundo. E emocionante.



Quase todo mundo tenta evitar contato visual (ou qualquer contato, se possível) dentro de um elevador. A experiência em si é emocionalmente mobilizante – embora, claro, não num nível extremo.


Mas você consegue lembrar quando entrou uma pessoa realmente atraente no elevador em que você se encontrava? Tenho a impressão que as pessoas são mais suscetíveis a paixões fulminantes (ou pelo menos a cócegas mais intensas em certas regiões) se o estímulo – pessoa extremamente atraente do sexo oposto - se apresenta num contexto emocionalmente movimentado (esse monte de gente apinhado, pisando nas poças de urina pré-históricas uns dos outros).



Um amigo meu, que pensa em morrer quando entra num elevador e se esses estranhos vão ser as últimas pessoas que ele vai ver (o que, nota-se, deixa ele num estado ainda mais emocionalmente suscetível do que a média das pessoas), teve um insight muito interessante sobre esse fenômeno: ambiente emocionalmente chacoalhado somado à pessoa do sexo oposto resultando em atração fora dos padrões comuns.



Em um determinado desenho japonês “uma personagem fala sobre o efeito da ponte suspensa. Tal efeito aconteceria quando uma pessoa atravessa uma ponte olhando para outra do sexo oposto (ou não) e se apaixona. Como? Simples pareamento de estímulos: a aceleração das batidas do coração causada pelo medo de cair da ponte é associada à visão daquela pessoa, causando o que chamamos de paixão.”



Faz sentido aplicar a mesma lógica a experiência dos elevadores. A Sandra Bullock diz pro Keanu Reeves em Velocidade Máxima que não se pode confiar em relações que começam em contextos de emoções intensas, pq confundimos o desassossego emocional do contexto com a pessoa ao nosso lado, e essas relações estariam, portanto, fadadas ao fracasso.



Acho que o mais útil (além de descobrir que trepar em banheiros de faculdades que fedem mais do que uma manada de gambás com caganeira ou realizar tal ato libidinoso – trepar – equilibrando-se sabe-se lá como de pé sobre uma rede faz parte do arcabouço de perversões desse amigo) é pensar como esse truque do cérebro, transferir sem justificativa plausível uma emoção de determinada situação para a outra, pode ser usado ao nosso favor.



Fazer algo que você goste para se motivar no trabalho, se apaixonar e melhorar sua relação com todas as pessoas, ou levar um chifre e criar uma obra prima da música sertaneja.



Confira o post original em: http://nerdshots.blogspot.com/




Pra quem ainda não tem o privilégio duvidoso de conhecer Salvador, esse é o Elevador Lacerda, mais informações checar a pitonisa: http://pt.wikipedia.org/wiki/Elevador_Lacerda



22 julho 2009

Interlocutor

Pensei muito em você hoje. Gente é um animal fundamentalmente social - o mais ermitão, solitário, nômade e outlier ainda é definido por suas relações. Auto-estima assim como auto-conhecimento, é sempre exo-estima e exo-conhecimento - pq ambos só vem a partir das relações com o outro.


Nesse processo, vulgarmente conhecido como vida, é um privilégio ter alguém, ter um outro, um seu interlocutor, cuja visão seja igual a sua em pontos fundamentais e completamente discordante em outros tantos pontos tb fundamentais; alguém que traga um novo ângulo, uma perspectiva diferente, uma brisa nova - e que ao mesmo tempo traga um pouco mais do mesmo, que nos mantenha confortáveis em nossas peles.


Obrigado por estar aqui.


15 julho 2009

27


Quero juntar-me a você
E carregar
Os balões pro mar
Quero enrolar
As pipas nos fios
Mandar meus beijos
Pelo ar...

21 junho 2009


"...meu coração vive cheio de amor e deserto..."
Balada de Agosto
Zeca Balero & Fagner

18 junho 2009

À Graciosa Ana


Acho muito simplista essa história de que você é o único responsável pelo que acontece na sua vida, e que se vive como se vive pura e simplesmente por conta de suas escolhas pregressas (do mesmo jeito que acho de uma desonestidade brutal ficar se pondo num lugar de vítima do universo e ficar com a raposa da hanna barbera a repetir o refrão ó vida, ó azar...).

Mas sério, dá pra visualizar alguém escolhendo passar fome, ter pais ausentes ou ser abusado quando criança? Não decidimos nosso contexto macro, não escolhemos diretamente nossa estrutura política, a economia global ou uma série de outras coisinhas assim, pequenos detalhes.

(Como os ciclos de ovulação, por exemplo).

O sistema é complexo, e claro que nossas decisões coletivas e, principalmente, suas interações umas com as outras é que acabam por moldar e escrever a nossa história. Não é só o que escolho, mas em que contexto e como eu escolho e como essa decisão afeta aos outros em volta, que por sua vez farão suas próprias escolhas (quando um homem decide, decide por toda humanidade) que irão interagir com as minhas decisões em ondas de conseqüências que, devemos humildemente admitir, são bastante imprevisíveis.

Em geral tendemos a creditar nossos sucessos a nossas boas decisões, trabalho duro e competência estonteante, e, quando as coisas dão errado, desproporcionalmente não assumimos nossa incompetência (que seria o razoável a se fazer), terminando quase sempre por culpar as condições, o acaso, Deus, o azar.

Ou a mãe, em última instância, se você for freudiano – e hoje em dia todo mundo parece ser pelo menos levemente freudiano).

Claro que nossas escolhas são importantes e que precisamos assumir a responsabilidade por nossas vidas. Responsabilidade sobre como agimos nela e, potencialmente mais importante, como reagimos à ela; e responsabilidade sobre o caminho que trilhamos. E não ser levianos com nossas escolhas etc etc e todo aquele papo que tá todo mundo de saco cheio, mas achar que estamos no controle dela (de nossa vida), especialmente dos super-valorizados “resultados”, é pouco mais do que ilusão leviana de segurança.

Seguir as regras não garante o resultado esperado.

Vamos ser honestos, muito do que ocorreu na nossa vida foi incidental, inesperado, arbitrário.

Caótico.

E nem por isso foi menos válido, belo e gracioso.



Keep Your Path Beautiful

26 maio 2009

Fly, Butterfly


Uma análise superficial da música “borboletas” da dupla Victor e Leo, como a prematuramente exposta aqui no dia de ontem, pode levar a conclusões injustas sobre o seu compositor, o Venerável Victor. Você pode pensar, por exemplo, que ele é um coió ao afirmar que sabe que está amando mas ainda não sabe quem. Afinal, como a criatura abissal poderia amar sem saber o que ama? Não saber se ama ou não é lugar comum, mas amar sem saber ao quê? Desde a invenção da escrita que se escreve sobre amor, desde que o mundo é mundo que se canta, e se fala e se discute o amor. E nunca. NUNCA se ouviu falar de tal fenômeno, do amor sem objeto. Isso significa que o Venerável Victor simplesmente junta frases ao acaso de maneira razoavelmente harmoniosa contando com a imbecilidade nada latente do seu público consumidor?

É claro que não! Na verdade é genial!

Ele consegue capturar toda a complexidade da alma e do sentir humanos, de uma maneira que nem o mais peripatético dos freqüentadores pederastas da Acrópole foi capaz! O amor sem objeto, difuso, o amor pelo amor! Você, naquela leitura superficial, poderia achar que o moço é meio fraco da cabeça, talvez devido à sua pouca pigmentação capilar, pq em alguns versos afirma que a guria quer voltar pra ele e ele não quer afinal ela chega confundindo todo o momento dele com outra, e no final ele fala que é o jardim da guria e diz que ela que não pode deixar de voltar pra ele, dando a impressão oposta. Confuso? SIM! E a canção é confusa pq nossos sentimentos e nossos relacionamentos são confusos! Somente um verdadeiro poeta captaria esse dizer além do dizer de maneira tão completa.

Mas a piece de resistance, o zênite, o ponto culminante, a prova da irrefutável proeza artística do mestre, o Venerável Victor, vem a seguir.

Por favor, pedimos que os cardíacos e as pessoas sensíveis se retirem por um momento, a exposição a um trabalho de arte tão profundo e intricado pode ter reações biopsicofisiológicas ainda não totalmente estudadas pela medicina contemporânea. Então o verso é o seguinte:

Numa noite estranha...

(É preciso ressaltar a coragem do Venerável Victor. Estranha não é exatamente a palavra mais fácil de rimar. É bem difícil na verdade. Você vai rimar estranha com que? Banha? Banha!? Imagina banha em qualquer música que seja! Entranha? Barganha? Manha – essa até é viável, mas ia ficar muito pagodão. Sanha? Viu? Não é nada fácil.)

Então o Venerável Victor. Ousado. Corajoso. Como somente os verdadeiros artistas e os gênios podem ser, como Picasso pintando as demoiselles (sei lá como se escreve), Beethoven compondo Pour Elyse (ok, depois vc olha no Google e vê como se escreve essa também) ou ainda como Van Gog cortando fora a própria orelha (depois de ouvir por horas a fio a coletânea “o menos pior do sertanejo”), o Venerável Victor prossegue:

Numa noite estranha / A gente se estranha.

Repetirei:

Numa noite estranha   / A gente se estranha

Respirem fundo, muita calma. Por favor, todos contenham a emoção. Produção, ajuda o senhor sedentário da primeira poltrona da terceira fila acho que eles está passando mal.

Viram? Ele, num momento magistral, na hora de tomar a decisão mais difícil, na encruzilhada da poesia, decide rimar estranha com... ESTRANHA!!! Não há aqui uma única gota de ironia ou sarcasmo! Não é só a ousadia de dar a cara a tapa para todos os críticos pretensiosos e com nada melhor pra fazer ficarem apontando o fato de rimar uma palavra com ela mesma, é a coragem de quebrar com um cânone. Quem disse que não pode? Pq tem de ser com outra palavra? O Papa que disse? É um verdadeiro revolucionário iconoclasta da música popular! E não só conseguir rimar uma palavra com ela mesma mas fazer disso uma rima rica! Enquanto Camões matava os neurônios tomando vinho do porto na composição dos Lusíadas, para rimar substantivos com artigos e verbos com pronomes, para que suas rimas fossem ricas, riquíssimas, o Venerável Victor consegue o mesmo intento rimando uma palavra com ela mesma. E de quebra fica rico e famoso.

A simplicidade sempre é o mais difícil.

Bravo!

 

 

 

Nota: rima rica, para quem dormiu nas aulas de literatura, é quando duas palavras de classes gramaticais diferentes são usadas num poema rimando uma com a outra. Se as palavras são de uma mesma classe gramatical, então a rima é pobre. Note que o primeiro “estranha” é adjetivo, qualificando noite, como aquela noite que nas cidadezinhas do Goiás os bares tocam música e não sertanojo; já o segundo “estranha” é verbo, conjugado de estranhar, no sentido aqui de rolar uma tensão agressiva subtextual entre o cara e a ex.

Nota 2: pra quem dormiu durante todo o ensino fundamental e entrou em coma (alcoólico, eu presumo) no médio, classe gramatical é artigo, verbo, advérbio, adjetivo, substantivo etc. Num entendeu? Volta a dormir então...

25 maio 2009

ConSertos para a Juventude

Teve um tempo que meu sonho era conhecer a Sandy. Não, eu não era membro de fã-clube nem essa afirmação deve servir de base para juízos precipitados sobre minha opção sexual. Eu queria conhecer a Sandy para poder pegar na mãozinha dela, olhar fundo naqueles olhos doces e dizer assim, uma oitava abaixo do tom normal e com voz macia: “Sandiléa... (usaria o nome de batismo da moça pq como todo mundo chama pelo diminutivo, usar o nome mesmo poderia criar um falso clima de intimidade) ...Sandiléa, amor da minha vida, farol que ilumina meus passos, luz da minha existência... (pausa dramática, acompanhada de uma inspiração profunda e cara de quem procura a melhor maneira de dizer alguma coisa) ...posso te dizer uma coisa?” E antes que ela respondesse que sim ou que não eu emendaria: “Sandiléazinha do meu coração, o que é imortal não morre no final... NEM NO MEIO NEM NO COMEÇO NEM EM PORRA DE MOMENTO NENHUM! IMORTAL NÃO MORRE!NÃO MORRE!!! POR ISSO QUE É I – MORTAL!!! IIIIIIIIIIII-MORTAL!!! DO VERBO NÃO VAI MORRER!!! EM HORA NENHUMA!!!” É... minha fantasia nunca se realizou, e hoje nem dá tanto tesão assim (não sei se pelo fato da música ter deixado de fazer sucesso ou se pela virgindade mais celebrada da história do Brasil ter ido pras cucuia...) E pq eu vim lembrar disso justo hoje? Minha irmã (sempre ela) tava ouvindo um sertanojo da vida, uma música das borboleta que voltam e vem e não sei oq do jardim, e lá pras tanta a criatura (o cantor, não minha irmã) solta: “Não sei dizer o que mudou/ Mas, nada está igual” Meu São José do Cabeção, dá-me paciência... Deixa eu te ajudar meu filho: se NADA está igual, então é pq TUDO mudou!!! (sem pegar na mãozinha dessa vez...)

22 maio 2009


Estava pensando em algo quase poético e a coisa mais forte que me veio foi a expressão “mulher de malandro”. Vê-se como não-anda a poesia deste que vos escreve.  A quem possa não estar familiarizado com a expressão, mulher de malandro é aquela que o marido vai pra zona, chega em casa fudido fedendo a puteiro com mancha de batom em lugares obscuros vomita no meio da sala e a mulher ainda vai cuidar dele. O cara apronta, faz barraco, bate na criatura, e ela ainda fica lambendo o chão que ele pisa. Pô, absurdo, as pessoas precisam se dar ao respeito valorizar etc etc papo politicamente correto pseudo-moral banal e babaca que a gente repete e se doutrina sem nem perceber.

Pessoalmente, acho que todo mundo é mulher de malandro para alguém (normalmente para alguéns).

Tem um punhado de gente nessa vida a quem, pelas razões mais diversas e incompreensíveis, somos completa, absoluta e totalmente vulneráveis. A criatura pode aprontar o que for e deixar a gente puto. E a gente vai continuar arriado os quatro pneus e o estepe, basta o ser dar um sorriso de canto de boca, fazer cara de cachorro na chuva ou ajeitar o cabelo por trás da orelha como só ela faz que a gente se entrega. É como a porquera da kriptonita. E, claro, não falo aqui só de um contexto romântico. E, claro, que muito dessas relações pode ser uma coisa muito ruim. Mas muito do “ruim” nesse processo vem do desgaste mental de lutar contra essa nossa vulnerabilidade.

Pessoalmente, sou totalmente vulnerável a você. E que se dane.

Driving

(reconstituição)

Neiriberto – across the universe into the wild diz:

Bom te ver por aqui

Arthus diz:

Eu tb, embora seja difícil ver. A estrada continua escura ------------------>

referindo-se a imagem de exibição, reproduzida lá em cima

Neiriberto diz:

Lembra, tua palavra é lâmpada para os meus pés...

Arthus diz:

...e luz para os meus caminhos.

Neiriberto diz:

perfeito. MAS É LÂMPADA NÃO FAROL DE MILHA!!!

A estrada sempre vai ser escura.

Dignidade

a luta constante para não sermos traídos por nossas emoções e conseguir passar pelas relações sem abrir mão de pedaços de nós mesmos

09 maio 2009


06:04

Cheguei há pouco da esbórnia. E foi uma noite regada a O Ar da Montanha (não, não foi uma noite zen de contato com a natureza, é uma dose de absinto com fogo... qualquer dia te mostro como é). E vou ficar acordado direto pq trabalho daqui a pouco.

Então tudo pra me deixar meio filosófico.

Faz uns anos que me pego pensando, volta e meia e de novo, em um verso específico dos evangelhos. Acho, se não me falha a memória ora cansada e etílica, que está lá no meio do sermão da montanha. Cristo fala direto e seco “dá a quem te pede e empresta a quem precisa”.

Tem um fenômeno que eu tenho observado ao longo dos anos que eu achava revoltante, depois irritante e atualmente apenas levemente engraçado (ou irônico). É quando alguém que se pré-dispôs a crer na Bíblia como verdade etc e tal se depara com um texto que não se encaixa na sua própria visão de mundo.

É mais ou menos assim que o sofisma se instaura:

1-      O texto está certo (afinal é minha declaração de fé que o Espírito etc etc).

2-      EU estou certo (afinal estar disposto a admitir erros crassos em sua visão de mundo tão cuidadosamente construída por seu contexto social e lapidada pela rede globo não é uma coisa tão simples).

3-      O texto não se encaixa na minha visão de mundo.

LOGO o texto não deve querer dizer o que eu entendi.

Aí começa um processo de vivissecção do texto para fazer ele dizer o oposto do que ele diz, ou pelo menos fazer ele concordar comigo, por que ora, veja bem etc.

Afinal, não pode ser dar pra TODO mundo que te pede QUALQUER coisa... aí a gente começa com a questão das esmolas, e como isso reforça a má vontade de trabalhar das pessoas (pq é sabido que nosso mercado de trabalho absorve rápida e imediatamente toda mão de obra, especialmente a não qualificada, e todo mendigo mendiga pq é um preguiçoso). Algumas vezes a gente começa a forçar a boa vontade: mas e se um criminoso me pedir pra entregar minha filha nas mãos dele? Etc

¬¬

Uma discussão sem fim do sexo dos anjos para mascarar a grande verdade que a minha índole de auto-preservação egoísta e capitalista só quer emprestar pra quem pode me fiar que vai realmente pagar – preferencialmente com juros; e só dá pra quem eu amo ou com quem eu me importo (e o fato de eu ficar puto da vida se mais na frente essa pessoa também não doar a mim de maneira equivalente em nada diminui o altruísmo de minha ação inicial).

Eu tenho pensado, e cada vez mais, que o texto diz o que ele diz mesmo. Pura e simplesmente.  Afinal, se eu dou esmola e o cara é um safado preguiçoso e explorador, o que é que tem? Fui feito de besta, mas e daí? Ou se eu paro pra ajudar alguém e o cara me assalta, eu perdi dinheiro, vou passar um mês complicado mas o que tem isso mesmo? E se meu dinheiro emprestado nunca for devolvido o que tem demais?

Afinal, quantas vidas nós não nos permitimos tocar – pessoas realmente necessitadas – por medo de ter meu status, meus bens ou minha auto-imagem atingida? Acredito cada vez mais sinceramente que ser chamado a segui-lo é ser convidado a viver na eternidade – mas não na eternidade do suposto céu futuro, e sim na eternidade que se inicia no agora e que se desenrola nesse momento diante de nós.

Então, de uma perspectiva eterna, é pior minhas perdas materiais, meu status arranhado ou mesmo minha integridade física comprometida ou uma pessoa que não foi tocada quando precisava pq deixei de estender a mão (de ser a Mão)?

Afinal, se eu der o dinheiro e ele torrar na bebida, eu fui feito de besta, e ele se divertiu a beça. Mas e se eu não der o dinheiro e o filho dele passar mais uma noite de fome?

Quando não conseguimos abrir mão do que possuimos, inclusive de nossas seguranças e relações, não possuimos nada disso de verdade. Somos, na verdade, escravos dessas "posses". 

Acho que tem a ver com desapego. 



12 abril 2009

Snoopy e a Lição das Folhas

Charles Schulz escreveu uma vez uma tirinha do snoopy onde o beagle aparece encostado numa árvore, aparentemente no outono já que se vê algumas folhas caindo.

O cachorro (que consegue ser simultaneamente um filósofo existencial e fenômeno absoluto da cultura de massa) raciocina que, se fosse uma folha, não aceitaria passivamente a sina de cair da árvore.

“eu me agarraria na árvore com unhas e dentes, espernearia e gritaria e me recusaria a cair... faria um grande rebuliço”

Então ele conclui: “eu seria uma vergonha para as folhas”.

Estava conversando com uma amiga essa semana (estávamos trocando figurinhas, histórias motivacionais bonitinhas bacanas pra se usar em palestras) e ela disse que algumas coisas é como tomar uma injeção:

Quando criança você chora, esperneia e faz birra – e termina por tomar a injeção do mesmo jeito. Já adulto, você simplesmente toma a injeção, mesmo não gostando. Qual doeu mais? A conclusão é que aceitar as adversidades com maturidade e graça diminui o sofrimento.

Eu tendo a concordar. Tipo, conscientemente.

Só conscientemente.

Porque por dentro eu grito o tempo todo: QUE GRANDE BESTEIRA!!! Você pára de reclamar da injeção não por ter se tornado mais gracioso ou “maduro”, é só por ter aprendido a se submeter!!!

Ok, é idiota não tomar a injeção (imagina um homem barbado de 1,80 chorando e esperneando pra não ser perfurado pra receber medicação. Seria uma vergonha para as folhas) mas também é simbólico.

Nem sei bem de quê. Provavelmente da submissão, do constante não fazer, do delegar aos outros a responsabilidade por nossas vidas em cada mínima escolha, do viver sem realmente viver, (in?)conscientemente empurrando para um futuro vagamente definido o momento onde seremos plenos, realizados ou onde nos ocuparemos de nosso projeto existencial.

Fico pensando como maturidade está profundamente ligada a idéia de passagem e dos ritos de passagem. Do caçador adolescente sozinho na floresta gelada contra a fera, do caminhar sobre as brasas ou mesmo dos ritos mais bárbaros como começar a trabalhar, passar no vestibular e ter de pagar suas próprias contas (não necessariamente nessa ordem).

A palavra “páscoa” é a base da palavra “passagem” em português. A Páscoa dos hebreus celebra o dia em que o Anjo da Morte passou por sobre as casas dos que haviam tingido com sangue do cordeiro os umbrais de suas portas, poupando-os.

A Páscoa cristã celebra a passagem do Cordeiro da morte para a vida. Mas não somente, é a passagem do medo para a fé, da covardia para o peito aberto do desafio ousado aos poderes constituídos, da vida medíocre para uma vida capaz de mudar e impactar o mundo – ainda que ao custo dessa própria vida.

Mas a passagem da (i)maturidade para a maturidade(?) de nossos dias não tem a ver com isso. Tem a ver com a passagem do espernear para o tomar injeção sem reclamar, dos gritos inconsolados quando não eram justos num jogo no pátio na hora do intervalo na pré-escola a ser ludibriado sem protestar, de ver o mal e aprender a calar.

No hino à nostalgia mais bonito que já ouvi (é impossível ter mais de 25 e não sentir pelo menos um arrepio quando se ouve a música pela primeira vez) chamado “A Lista”, Oswaldo Montenegro nos brinda com a percepção de que

“muitos defeitos sanados com o tempo eram o melhor que havia em você”

Intimidade



Então o Cristo estava morto.

Ele os tinha cativado, impactado, transformado. Pelo pouco que havia de novo no seu discurso – ele só cumpria a Lei e os Profetas, pelo muito que havia de novo em sua prática. Pela imensidão de sua pessoa.

Pelo homem que chorava, e sentia fome, e que com medo pediu pra ser poupado do sofrimento. Que apreciava festas e risos e dança a ponto de ser acunhado de beberrão e glutão. Pelo homem que andava sobre as águas, purificava leprosos, fazia paralíticos andar alegando que essa era uma obra menor pois estava realmente perdoando pecados.

Que veio pra salvar, que quer dizer curar. Que veio para libertar que, no caso dele, significa cativar. Que em pouco mais de três anos de andanças, cruzando pra cima e pra baixo as mesmas estradas empoeiradas, sem ter onde apoiar sua cabeça pra dormir, plantou a semente de um reino. Um andarilho vivendo de doações. Um rei transformando água em vinho.

Devolvendo a visão a cegos por métodos tão heterodoxos quanto encher suas órbitas vazias com lama feita de seu próprio cuspe e do pó da terra. Que soprou, e riu, e chorou, e se afastou quando todos esperavam que não, que negou curas pra realizá-las em seguida, que proibiu a divulgação de seus feitos e os realizou em público.

Que se atrasou quando deveria se apressar, que se afastou quando deveria permanecer. Que nunca deixou de os surpreender. Que curou os nove ingratos junto com o único que voltou para expressar sua gratidão. Que lavou os pés, fazendo o mais humilde dos serviços, os pés daqueles que ele amava, dos que em poucas horas fugiriam, o negariam, e ainda antes o trairia.

Que falou com eles. Que esteve com eles. Comeu, dormiu, bebeu, riu, se emocionou. Conheceu suas sogras, almoçou em suas casas, compreendeu suas dúvidas, alimentou suas esperanças. Trouxe vida, e vida em abundância. Que insistiu em falar mesmo sabendo que não era totalmente entendido. Que insistiu em amar, mesmo quando ameaçavam apredejá-lo.

Que andava com prostitutas, e ladrões, e terroristas, e corruptos. E com crianças, e mulheres e donas de casas, e lavradores, e pescadores, e sacerdotes, e membros do conselho. Ele era o ungido de deus, o messias, o cristo, aquele que foi escolhido, aquele sobre o qual repousava o Espírito. E ele estava morto.

Despido em público, chicoteado muito além da punição usual. As nove cordas do chicote romano zunindo no ar, os nove ossinhos e pequenos ganchos de metal em cada ponta cravando-se na pele castigada, fazendo com que ela fosse arrancada quando o centurião ergue-se o braço pro próximo golpe.

Ele, que lhes deu esperanças, além de qualquer esperança. Um manto posto sobre suas feridas abertas – somente para ser arrancado em breve reabrindo todas as chagas, dando vazão livre ao sangue. A coroa fixada em sua cabeça com golpes de madeira. Os xingamentos e os cuspes e a zombaria: os olhos atados, as pancadas e a zombaria: és o filho de deus, então adivinha quem te bateu?

Como a zombaria: pendurado nu na cruz, pregado pelos pulsos, a margem da maior estrada que levava a maior entrada da maior cidade da nação, no momento de maior afluência popular, a zombaria: não queria nos salvar? Pq não desce agora e salva a si mesmo?

Ele sabia do que aconteceria. Os avisou vez após vez após vez, embora seus avisos caíssem em ouvidos moucos. Ou talvez em ouvidos que não quisessem escutar. Não posso culpar Pedro por se recusar a imaginar (por ser incapaz de conceber?) aquele que ele tinha visto falando com o Próprio Deus transfigurado em luz e glória em tal estado de fragilidade e humilhação.

Então, ele sabia. E o que escolhe fazer? Ele escolhe jantar com seus amigos mais próximos. Escolhe estar com eles. Compartilhar com eles do pão e do vinho – o que era exatamente o que se devia fazer em qualquer dia normal de páscoa, e eles estavam em Jerusalém para a Páscoa. Ele não fez um grande evento, ele jantou com seus amigos.

Como sempre. O milagre da intimidade. Do discípulo que se sentia a vontade pra ficar recostado sobre o peito do mestre. Ouvindo seu coração bater. Comendo do mesmo pão, bebendo no mesmo cálice.

E então, ele estava morto.

E eles estavam sós. Sós como o haviam deixado no fim. E dois discípulos sem nome, massacrados pela dor da perda daquele que amaram, soterrados pela agonia de ver seus sonhos e esperanças que haviam sido elevados a alturas inimagináveis nos três anos anteriores simplesmente despedaçados, sufocados pelo sábado castigante que os obrigou a ficar em Jerusalém no dia seguinte ao assassinato do seu mestre – tornado maldito por ter morrido no madeiro, desciam então no domingo para Emaús.

Um lugarejo distante poucos quilômetros a noroeste de Jerusalám – em torno de onze. E eles conversavam pelo caminho, questionando os eventos dos últimos dias. E houve um encontro. Como quando Zaqueu foi visto pendurado na árvore, como quando os sete demônios foram expulsos de Madalena, como quando ela tocou tão somente tocou na orla do seu manto, como quando os pescadores lançaram as redes de uma noite inteira de trabalho infrutífero e quase não as conseguem recolher com o peso dos peixes que se emaranharam nelas, como quando a mulher foi num dia comum pegar água no poço e ofereceu gentileza a um peregrino estrangeiro, como quando um centurião reconhecendo a indignidade de sua casa confiou numa palavra, como quando houve esse encontro.

E ele caminhou (mais uma vez) com eles, compartilhando a camaradagem das estradas e (mais uma vez) aqueceu seus corações, dissipando (mais uma vez) seus questionamentos mostrando como toda a infâmia de Jerusalém era também Graça. Por nove ou dez quilômetros eles andaram juntos. Mas eles não foram capazes de reconhecê-lo, ainda que mais tarde pudessem perceber como sua companhia era, enfim, Sua companhia.

Eles não o reconheceram quando ele lhes explicou a Lei e os Profetas e os seus cumprimentos, nem quando caminharam juntos na estrada poeirenta, e quando o convidaram a entrar na sua casa ainda não o tinham reconhecido. Não foi quando fizeram as oblações rituais, nem mesmo quando o chamaram pra jantar.

Eles o reconheceram na intimidade do partir do pão. No pequeno milagre do cotidiano, o convidado fazendo as honras, partindo o pão, exatamente como deveria ser. E eles o reconheceram. Supra-naturalmente, talvez, mas muito mais provavelmente por um trejeito, um acento na fala, um sorrir com o canto da boca.

Então ele não estava mais lá.

Então ele estava para sempre lá.

Com eles.

Mais uma vez.

26 março 2009

Sedução...



...consiste em levar outra pessoa a fazer exatamente o que ela quer fazer, mas de tal maneira que ela possa se eximir da culpa posteriormente

Calvin



Uma seleção das gotas de sabedoria do Calvin.


Mas antes: você sabia que o nome do Tigre em inglês é Hobbes, por causa do filósofo? (Thomas Hobbes eu acho). E Calvin é de Calvino, aquele da reforma protestante e a grana mostra como Deus te ama aleluia e tal. É uma piada o nome dos dois personagens... essas duas figuras juntas e tal. Não entendeu? Nem eu.




"É difícil ser religioso quando certas pessoas nunca são incineradas por relâmpagos."


"Se a sua adrenalina não estiver bombeando, você não está realmente vivendo."


"Os adultos simplesmente agem como se soubessem o que estão fazendo."


"Um pouco de grossura e desrespeito pode elevar uma interação sem sentido para uma batalha de desejos e adicionar drama a um dia de tédio."

 


"A vida fica bem mais fácil se você mantiver as expectativas de todo mundo baixas."


"Quando se é sério a respeito de se divertir, nunca é muito divertido."


"Nada ajuda um mau humor como espalhá-lo."


"Faça o que tem que fazer e deixe os outros discutirem se é certo ou não. "


"A vida é cheia de surpresas, mas nunca quando você precisa de uma."


"Um piada nunca é tão engraçada na segunda vez que você ouve."


"Se nós não pudéssemos rir das coisas que não fazem sentido, nós não poderíamos reagir a muitas coisas da vida."


"É muito mais divertido culpar as coisas em vez de arrumá-las."


"Se você não praticar esportes, você não têm a mínima chance de fazer comerciais de cerveja."

"Vivendo e não aprendendo... estes somos nós."


"Às vezes eu penso que o sinal mais forte da existência de vida inteligente em outra parte do universo, é que eles nunca entraram em contato conosco."


"Não há nenhum problema tão terrível ao qual você não pode adicionar um pouco de culpa e fazer ele ficar pior."

 


"Os melhores presentes não vêm em caixas."


"Se você faz o trabalho ruim o bastante, às vezes não lhe pedem para fazê-lo novamente."


"Nós estamos tão atarefados olhando com que está a nossa frente, que não temos tempo de aproveitar onde nós estamos."


"Isso é um das coisas notáveis sobre vida. Nunca é tão ruim que não possa piorar."


"Os únicos conhecimentos que eu tenho paciência de aprender são aqueles que não têm uma real aplicação na vida."


"Há uma relação inversa entre o quanto uma coisa é boa para você e o quanto ela é divertida."


"A força para mudar o que eu posso, a inabilidade para aceitar o que eu não posso, e a incapacidade para contar a diferença."


"Você sabe que vai odiar alguma coisa quando não querem lhe dizer o que é."


"O mundo não é justo, eu sei, mas por que ele nunca é injusto a meu favor?"