13 maio 2008

Genealogia do Amor



Outro dia estava muito ocupado azeitando o eixo do sol (pra ele não perder o rumo) e fiscalizando o crescimento da grama no quintal (pra garantir que a taxa de crescimento médio era adequada) quando tive um insight inesperado. Na mitologia grega Cupido casou com Psiquê, o mesmo Cupido era filho de Ares e Afrodite.

Antes que alguém se choque com o casamento de Cupido e ache que é mais uma mostra da pouca vergonha dos deuses gregos envolvendo um caso de pedofilia, vale alertar que Cupido, para os gregos, não era o menininho alado e rechonchudo que flechava os desavisados. Na verdade ele era alado e flechava os desavisados mas, sendo o amor, só permanecia como criança quando não era correspondido ou compartilhado. Uma metáfora evidente para o amor que não tem retorno que permanece sempre imaturo.

Anyway, ao ponto: O amor se casa com a alma ou mente, e é filho do sexo/da beleza e da guerra.

Os gregos realmente sabiam das coisas.

05 maio 2008

Benefícios Existenciais do Porre





Alguém muito sábio já disse que o superego é solúvel em álcool. O que quer dizer, basicamente que nossas amarras sociais – também conhecidas como bom senso ou simplesmente “noção” – vão pro espaço quando nos encontramos embriagados.

Há pouca coisa mais sem-noção do que bêbado.

De uma outra perspectiva, o álcool – ou o porre, pra ser mais exato – serve para escancarar a discrepância entre o que realmente gostaríamos de fazer e o que acabamos por fazer.

Afinal, em geral, as ações de um ser sob influência do álcool, exatamente por não passarem por nenhum crivo, são muito mais coerentes com seus desejos e vontades do que as de um ente sóbrio.

Recomendo, portanto, um porre terapêutico periódico a todo mundo. Assim você terá uma medida clara da sua incoerência interna (ou não) e, de repente, insights muito preciosos do que precisa ser acertado pra uma existência autêntica.

PS – saliento que embora essa técnica ainda seja experimental, trabalhar com estados alterados da consciência tem uma história muito respeitável dentro das ciências.

PS2 – Fazer merda bêbado e depois querer pedir desculpas culpando o álcool vai completamente de encontro à proposta de uma existência autêntica, que envolve assumir responsabilidade, inclusive pelos porres que você toma.

PS3 – Sobre a imagem: se você nunca provou, é absinto. Os deuses provavelmente se embriagam com isso.