17 fevereiro 2008

Nômade


Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, divide a humanidade em dois arquétipos. O homem nômade e o homem gregário.

O gregário precisa do lar, do solo, do seu lugar e referencial. Onde quer que esteja longe de sua terra, ele nunca estará em casa.

O nômade, além do desapego às coisas materiais constituintes do lar e da identidade, para Sérgio, está sempre em casa. Onde quer que ele esteja.

Não está posto ali – talvez Sérgio fosse gregário, então não tinha a experiência em primeira mão (ou talvez não estivesse nem aí pra isso) – é que a saudade é um elemento constituinte do nômade.

Ele vai sentir saudades, sempre. E todo tempo. E isso não vai passar, vai apenas ser uma coisa que está lá, e ele acaba aprendendo a viver com isso. E a se sentir grato.

Pq saudade é também um privilégio – o privilégio de ter gente tão boa por aí que vale a pena sentir a falta dessas pessoas todos os dias.

Por toda a vida.

3 comentários:

::..Bel..:: disse...

"Pq saudade é também um privilégio – o privilégio de ter gente tão boa por aí que vale a pena sentir a falta dessas pessoas todos os dias.

Por toda a vida."

Eu poderia continuar lendo calada, mas depois desse parágrafo...
a gente morre de ouvir falar em "saudade" por aí, mas dessa vez, fez tanto sentido pra mim.
e ainda tem o sentimento nômade que algumas coisas, dentre elas o próprio contato contigo vem despertando em mim...

às vezes, sentir falta pode fazer bem.
principalmente, deve dar em algum crescimento.

Renata Lamas disse...

Por toda vida...

Ê, saudade!!

Renata Lamas.

Pink disse...

Eu sinto muita saudade, mas não de muita gente, pq me canso das pessoas.
Mas das quais sinto saudade eu incrivelmente suportaria, feliz, tê-las sempre por perto. Então, os vivos, cabem em um pequeno condomínio.
Sim, estou morrendo de saudades de vc, por isso estou relendo o blogue e comentando incansavelmente. É a forma de "ser aconselhada" por vc, neste seu momento ausente.