24 dezembro 2008

SE...


SE...

Se você consegue começar seu dia sem cafeína,
Se você consegue ser sempre simpático, independente de estar doente ou sentindo dor,
Se você consegue resistir a tentação de reclamar e perturbar os outros com seus problemas,
Se você consegue comer a mesma comida todos os dias e se sentir grato por isso,
Se você consegue compreender quando aqueles que você ama estão ocupados demais pra lhe dar algum tempo,
Se você consegue superar quando aqueles que você ama lhe culpam quando (sem ser culpa sua) as coisas dão errado,
Se você consegue receber críticas sem ressentimentos,
Se você consegue evitar de tratar um amigo rico melhor do que você trata um amigo pobre,
Se você consegue encarar o mundo sem nunca precisar mentir nem usar subterfúgios,
Se você consegue lidar com suas tensões sem recorrer à ajuda médica,
Se você consegue relaxar sem uma dose,
Se você consegue dormir sem usar pílulas,
Se você consegue dizer que do fundo do seu coração que você não tem nenhum preconceito quanto a credo, cor, religião, preferência sexual ou política,

Então você atingiu o mesmo nível de desenvolvimento pessoal que o seu cachorro.

Feliz natal ;)

22 julho 2008

Beyond Cronos/Zeitgeist

Esse fim de semana, eu confesso. Li um livro de business (o equivalente na área de trabalho a um livro de auto-ajuda). Mas nem é um livro da moda, nem tá estourando nem nada (o que certamente conta alguns pontos a seu favor).

O livro fornece, basicamente, uma série de insights sobre o tempo e o uso que fazemos dele. E, principalmente, da relação entre nossa consciência/perspectiva e os resultados sobre nossa qualidade de vida (e uso do tempo).

A idéia básica é a mesma de “Poder Além da Vida” (The Way of The Peacefull Warrior) – um filme bem motivacionalzinho também, mas também muito bom.

Lá pras tantas no filme o personagem principal (depois de uma noite insone sobre o capô de um carro, tentando gerar uma idéia que seu ‘guru’ considerasse útil) afirma que “não há momentos comuns ou sem importância – sempre tem algo acontecendo”.

Pra citar uma fonte mais significante: C. S. Lewis (teólogo, filósofo, escritor e meu ídolo) dizia que vivemos na eternidade. Cada momento é único e cada ato e decisão que tomamos hoje permanecerá pelos séculos dos séculos. E por isso não devemos ser levianos com nossa vida.

E mais: tudo que temos é o hoje. O presente é a única dimensão do tempo sobre a qual temos algum controle. E freqüentemente deixamos ele - o presente - escorrer entre os dedos. Pq esquecemos de ESTAR no presente.

Vivemos angustiados com o passado e ansiosos com o futuro. Passamos muito tempo no que foi, no que pode vir a ser e, especialmente, no que-não-pode-mais-vir-a-ser-por-causa-do-que-já-foi-e-que-não-foi-como-queríamos.

Um dos “segredos” (só pra fazer referência indireta a outro produto de consumo da auto-ajuda, já que hoje estou me rendendo a todo este material) de uma existência plena é, sem dúvida, aprendermos a ESTAR no presente. E manter uma relação adequada com o passado e o futuro. Ou seja, APRENDER do passado e AJUDAR A CRIAR o futuro.

Ajudar a criar o futuro fazendo hoje qualquer coisa, por menor que seja, que aumente as probabilidades do futuro que queremos pra nós mesmos vir a se tornar uma realidade concreta.

Aprender do passado mudando nossas ações hoje, para podermos obter um resultado diferente daqueles que tivemos no passado.

Como diz uma frasezinha motivacional muito bacana:

“Para obter algo que você nunca teve, precisa fazer algo que nunca fez”

15 julho 2008

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Vi todas as coisas embaixo do céu, e uma coisa eu vi: Deus fez todas as coisas simples e nós complicamos tudo.


Rei Salomão, em Eclesiastes (com leves ajustes de estilo)

13 maio 2008

Genealogia do Amor



Outro dia estava muito ocupado azeitando o eixo do sol (pra ele não perder o rumo) e fiscalizando o crescimento da grama no quintal (pra garantir que a taxa de crescimento médio era adequada) quando tive um insight inesperado. Na mitologia grega Cupido casou com Psiquê, o mesmo Cupido era filho de Ares e Afrodite.

Antes que alguém se choque com o casamento de Cupido e ache que é mais uma mostra da pouca vergonha dos deuses gregos envolvendo um caso de pedofilia, vale alertar que Cupido, para os gregos, não era o menininho alado e rechonchudo que flechava os desavisados. Na verdade ele era alado e flechava os desavisados mas, sendo o amor, só permanecia como criança quando não era correspondido ou compartilhado. Uma metáfora evidente para o amor que não tem retorno que permanece sempre imaturo.

Anyway, ao ponto: O amor se casa com a alma ou mente, e é filho do sexo/da beleza e da guerra.

Os gregos realmente sabiam das coisas.

05 maio 2008

Benefícios Existenciais do Porre





Alguém muito sábio já disse que o superego é solúvel em álcool. O que quer dizer, basicamente que nossas amarras sociais – também conhecidas como bom senso ou simplesmente “noção” – vão pro espaço quando nos encontramos embriagados.

Há pouca coisa mais sem-noção do que bêbado.

De uma outra perspectiva, o álcool – ou o porre, pra ser mais exato – serve para escancarar a discrepância entre o que realmente gostaríamos de fazer e o que acabamos por fazer.

Afinal, em geral, as ações de um ser sob influência do álcool, exatamente por não passarem por nenhum crivo, são muito mais coerentes com seus desejos e vontades do que as de um ente sóbrio.

Recomendo, portanto, um porre terapêutico periódico a todo mundo. Assim você terá uma medida clara da sua incoerência interna (ou não) e, de repente, insights muito preciosos do que precisa ser acertado pra uma existência autêntica.

PS – saliento que embora essa técnica ainda seja experimental, trabalhar com estados alterados da consciência tem uma história muito respeitável dentro das ciências.

PS2 – Fazer merda bêbado e depois querer pedir desculpas culpando o álcool vai completamente de encontro à proposta de uma existência autêntica, que envolve assumir responsabilidade, inclusive pelos porres que você toma.

PS3 – Sobre a imagem: se você nunca provou, é absinto. Os deuses provavelmente se embriagam com isso.



22 fevereiro 2008

Mais do Mesmo


Alguns teólogos, tratando de escatologia*, afirmam que a História é cíclica e espiral: os mesmos padrões irão aparecer e reaparecer de forma cada vez mais intenso, até o grande clímax final quando todo olho O verá e os seus se esconderão e o mar será sangue e as estrelas vão cair etc etc

Tudo, seria uma forma de dizer, acaba se repetindo. Como a moda, as sogras e as novelas das sete. Só que cada repetição seria um pouco mais intensa, mais dramática. Ou simplesmente pior (esse é o caso das novelas).

Devo estar ficando velho (definitivamente se se tem idade para perceber padrões repetitivos em sua vida se está velho de alguma forma).

Claro que pode ser pior.

Tudo sempre pode ser pior, a não ser, talvez, pela seleção dos melhores momentos dos teletubbies.

Pode ser pior, por exemplo, quando se percebe que os filhos estão reprisando as histórias dos pais. E muitas vezes os pais estão exercendo o papel que antes foi dos seus próprios progenitores... e isso não leva a nenhuma lasquinha extra de empatia ou compreensão.

Os psicanalistas, provavelmente – nunca se sabe como essa seita estranha se comportará exatamente, perguntariam o que estamos realmente buscando; que desejo insatisfeito busca sua saciedade através desses padrões.

Talvez um existencialista entenda que estamos escolhendo viver as mesmas coisas e contar as mesmas histórias – e que podemos simplesmente escolher diferente.

[ ] trata inúmeras vezes de voltar a ver. De restaura vista dos cegos. Do povo que vivia em trevas. De véus que se rasgam. De escamas que caem. De rupturas - de diversas formas de rupturas.

Sua vinda é ruptura com o carma, com a lei, com as expectativas. A sua volta, então, é ruptura com a própria história e a realidade.

Com todo e qualquer padrão. Ou ciclo.

Redenção é ruptura.

And I only have a redemption song.




*Em teologia, escatologia é a doutrina que trata das últimas coisas, como apocalipse, inferno, juízo final. Essas coisinhas.

17 fevereiro 2008

Nômade


Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, divide a humanidade em dois arquétipos. O homem nômade e o homem gregário.

O gregário precisa do lar, do solo, do seu lugar e referencial. Onde quer que esteja longe de sua terra, ele nunca estará em casa.

O nômade, além do desapego às coisas materiais constituintes do lar e da identidade, para Sérgio, está sempre em casa. Onde quer que ele esteja.

Não está posto ali – talvez Sérgio fosse gregário, então não tinha a experiência em primeira mão (ou talvez não estivesse nem aí pra isso) – é que a saudade é um elemento constituinte do nômade.

Ele vai sentir saudades, sempre. E todo tempo. E isso não vai passar, vai apenas ser uma coisa que está lá, e ele acaba aprendendo a viver com isso. E a se sentir grato.

Pq saudade é também um privilégio – o privilégio de ter gente tão boa por aí que vale a pena sentir a falta dessas pessoas todos os dias.

Por toda a vida.

Mito da cura geográfica


Não, a gente não muda de cidade, estado ou país pra resolver os problemas. Pelo menos não os importantes (dinheiro e faculdade não são “problemas” importantes).

Nossos “problemas”, em sua maioria, são estruturais, são nosso conteúdo próprio. E mudar de lugar dificilmente terá um impacto significativo sobre eles.

Um idiota em Itabuna permanece um idiota em Cingapura. Talvez com mais charme, e um tom um tanto exótico, mas basicamente um idiota.

A mudança, no entanto, é sempre uma oportunidade de rever, reavaliar, reestruturar. E tem, claro, um conteúdo simbólico (como o encerramento de uma fase ou um rito de passagem) que não pode ser desconsiderado.

No entanto, se esse momento não for “usufruído” pelo idiota em mudança, ele continuará sendo um idiota igual, sem ter ganho nada de novo, nem aprendido nada.

Talvez somente um sotaque novo.

PS - Um atirador de livros também permanece um atirador de livros. Mas talvez ele taque outras coisas nas pessoas dependendo do lugar. Filhotes de foca se estiver num pólo, talvez...

02 janeiro 2008

votos


May your coming year be filled with magic and dreams and good madness. I hope you read some fine books and kiss someone who thinks you're wonderful, and don't forget to make some art -- write or draw or build or sing or live as only you can. And I hope, somewhere in the next year, you surprise yourself.


Neil Gaiman, on his blog in 2001, 2004 and 2007

Livre Tradução: “Que o seu ano que vem chegando seja repleto de magia e sonhos e boa loucura. Espero que você leia alguns bons livros e beije alguém que acha que você é maravilhoso, e não esqueça de fazer alguma arte – escreva ou desenhe ou construa ou cante ou viva como somente você é capaz. E eu espero que, em algum momento no ano que vem, você surpreenda a si mesmo.”

greit ecspecteixions tchutausand êit


Eu ia deixar passar o ano novo (como deixei o natal) sem postagem... Mas eu recebi um e-mail tão legal de uma pessoinha maravilhosa, que resolvi, descaradamente, roubar o e-mail dela:



Aos amigos alunos, amigos professores, amigos do colégio, amigos da faculdade, amigos da família, amigos da igreja, amigos de trabalho, amigos de amigos, amigos não tão amigos, amigos mais que amigos...


Meus desejos para vocês em 2008:


- luz pros caminhos obscuros

- músicas para todos os momentos

- leituras reveladoras

- momentos de insanidades temporárias

- amores malucos

- sorrisos sinceros

- paixões arrebatadoras

- manhãs, tardes, noites e madrugadas felizes

- trabalhos compensadores

- viagens inusitadas e combinadas

- lágrimas pra molhar a terra seca

- reencontros com e de amor

- cinema para todo dia

- amizades velhas e novas, mas verdadeiras

- cuidado com o outro

- carinhos bons de sentir

- novos aprendizados

- bênçãos infinitas de Deus

enfim, FELICIDADES!