02 julho 2007

Responsabilidade Social



Tive um momento de iluminação. Pense por um instante como todas as coisas estão interconectadas em nosso mundo globalizado, como tudo se liga, influencia, ecoa e reverbera. Pense então que, da próxima vez que você for assaltado, a culpa é sua, toda sua, completamente sua. E não é por votar em quem você votou, por não visitar os velhinhos no abrigo ou por não fazer obras sociais. É por uma razão muito mais prosaica: você não joga lixo na rua! Pense bem, só há trabalho se há demanda pelo serviço. Se todos nós jogássemos lixo na rua, haveria grande demanda por garis - e o gari não é emprego só pro gari, é pra fábrica de uniformes, e pras costureiras, e pras fábricas de botões e de tecido; é pros psicólogos que vão ter que recrutar a mão de obra a partir de critérios ridículos e dinâmicas de grupo em sentido ("eu salvaria o passarinho!"); é pras fábricas de vassouras, pás e sacos de lixo, enfim, todo um arranjo produtivo - que você destrói e limita quando NÃO JOGA o lixo na rua! Quando você não joga lixo, não gera emprego, empurra as pessoas para a marginalidade, agrava os problemas sociais, inicia um ciclo de violência e acaba sendo asaltado! Bem feito pra você!

2 comentários:

Richardson Gomes, Fernanda Mendes, Shenna Dallen e Renan Timbó (organizadores) disse...

Por outro lado, quando se joga o lixo na rua ele tende a migrar para as áreas mais baixas da região (é... o lixo também sofre ação da gravidade). Com sorte, ele vai para o leito de rios e lagos, causando assoreamento e matando diversas espécies, entre elas algumas úteis à população. Com azar, o lixo vai para o sistema de esgotos e acaba entupindo as "modernas" instalações do local, causando inundações e mau cheiro. É certo que pouco lixo nas ruas requer menos garis, porém muito lixo requer investimentos que poderiam estar sendo alocados em pesquisas, educação e até salários maiores (dos psicólogos, professores, garis e toda a "indústria associada" ao nobre trabalho dos garis). Como sempre, é tudo uma questão de se avaliar custos e benefícios, levando-nos à nossa eterna dádiva de livre arbítrio.

Neiriberto disse...

Richardson: ¬¬