31 julho 2007

Experiência e Futilidade


Here we are/now entertain us/I feel stupid/and contagious – kurt cobain

O mundo – e as possibilidades da experiência humana com ele – expandiu-se e escolheu numa antitética explosão, tornando-se uma gigantesca tribo aculturada. Há apenas dois séculos o mundo e a vida de um homem estariam circunscritos a, talvez, um raio de 100 km. Se você quebra a perna e passar duas semanas mofando na frente da tv, corre o risco de ser exposto a mais e mais diversa informação do que um homem comum do fim do século XVIII durante todo um ano de vida.

Parece que em nós, homens pós-modernos, subjaz um ressentimento surdo, talvez de não ser capaz de abarcar vivencialmente todo esse admirável mundo novo. Por mais que tenhamos e experimentemos, parece que sempre estamos “por fora”.

As coisas perderam a “aderência” (como diria Aristóteles). Pois sempre há algo novo, maior (ou menor), mais rápido, mais arrojado, mais emocionante e mais trágico para superar o último up-grade. Em época de hiper-estímulo até as tragédias ou principalmente elas, precisam ser visuais, instigantes, perturbadoras e “maiores do que a vida” para ter certa relevância na multidão de informação (e dor) do nosso caos pós-moderno.

A TAM agora parece inesquecível, mas João Hélio já quase se foi, e Beslan está completamente fora de nossa mente.

Como os fatos não “falam” direta e pessoalmente conosco não tem significado pessoal, mais e mais nos tornamos apáticos e distantes. Nos tornamos “estúpidos”, segundo Cobain – que reforçou seu argumento metendo uma bala na própria cabeça. E essa humanidade superficial, apática, bestificada carente de sentido e soterrada pela velocidade das mudanças, escorre para uma existência hedonista.

Os valores absolutos em nossa sociedade escapista, que se viciou rapidamente em emoção fácil e imediata, passara a ser o divertido e o seu contraponto, o chato. E quando algo em nós grita que alguma coisa não está certa, encontramos um equilíbrio a la nirvana (não o estado espiritual do budismo, a banda punk de seatle), que criticava o sistema sendo a número um da bilboard.

Ou seja, nós criticamos e nos adaptamos o mais eficientemente possível ao perverso sistema.

Um comentário:

Camiseta Personalizada disse...
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