18 junho 2007

Fé pra abrir mão



Fé, pelo menos algumas vezes, é simplesmente abrir mão de entender Deus. Eu acho que quando a Bíblia diz que sem fé é impossível agradar a Deus, talvez, dentro desse conceito geral, também queira dizer que sem fé é impossível “lidar” com Deus.

Veja bem, Deus não faz sentido. Que tipo de bondade deixa (ainda que em sua “vontade permissiva”) uma garotinha de cinco anos de idade ser estuprada pelo próprio pai? Que tipo de justiça pode condenar um ser por agir de acordo com o que sua natureza determina – como condenar um cachorro por latir, ou, quem sabe, um leopardo por não ser capaz de mudar suas manchas (é Ezequiel que constrói essa imagem?), ou, quem sabe, um pecador por pecar?

Mas, e esse é meu ponto aqui, Deus não precisa fazer sentido. Pelo menos não mais sentido do que as ações de um pai adulto precisam fazer para uma criança realmente pequena (pré-operatória-em-verbalização-egoísta). A criança não precisa entender seu pai. Ela nem mesmo pensa sobre isso (e eu sei lá sobre o que elas pensam). O pai simplesmente está lá e, se as coisas derem errado, basta chorar alto e ele virá. Envolvendo-a em Seus braços de amor.

Nós (ou pelo menos alguns de nós) enfrentamos lutas tão duras para tomar as rédeas, e assumir o controle de nossas vidas – e então, somos convidados “ei, não entenda! Apenas confie... abra mão”.

Nós devemos abrir nossos dedos, deixando o controle de nossas vidas repousar nas mãos de alguém que não compreendemos ou entendemos. E devemos confiar (ou talvez, lá no fundo, nós saibamos) que essas são mãos de amor.

Como amantes, nós despimos nossas roupas, dizendo, de algum modo: “eu estou aqui, nu (a) na sua frente, estou exposto (a). Você pode me dar prazer e você pode me ferir. Você pode ser gentil ou rude. Por que, de qualquer forma, somos só eu e você, e eu estou nu (a) diante de você”.

Toda relação tem a ver com doação. A intimidade do sexo com alguém que você realmente ama (e que você sabe que ama você) pode ser, dentre as nossas experiências “cotidianas” a maior imagem do doar-se. Sem máscaras, honras ou títulos. Confiando que sua amante/seu amante irá escolher te dar prazer ao invés de te machucar. Ser gentil e não rude. É uma experiência de fé: dar-se a alguém que você não compreende numa relação de amor.

E fé, às vezes, é abrir mão de você mesmo. É se entregar.




PS – A quem interessar possa: Eu sou romântico por que o universo e a história são românticos. Os dois tratam de um noivo apaixonado vindo por sua noiva.

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