30 junho 2007

Algumas opiniões que você não precisa sobre cinema =P


Tava vasculhando meu computador e achei um e-mail antigo que escrevi sobre alguns filmes que eu curto. Aí, com o instinto pouco apurado de que o mundo realmente precisa de uma lista de filmes recomendados por mim, atualizei a lista e os comentários. Não há nenhuma seqüência lógica, ou qualitativa. Eles tão meio que na ordem que eu fui lembrando. Divirtam-se =P (ou não)

Laranja Mecânica
Well, well, well, Jony Boy... Primeiro, Stanley Kubrick, falecido diretor, é o cara. O The Best Of The Bests. Qualquer filme que ele assinou era uma obra prima. Ele escolhia os filmes dele pelo prazer de uma história bem contada, independente das implicações de qualquer tipo ou das questões que pudesse levantar. Mais, ele dominava completamente a linguagem cinematográfica. Ele não só sabia contar uma história, como sabia contar uma história NO CINEMA. Em geral, inspiradas em bons livros, filmes ou mesmo em trechos de livros. Laranja Mecânica é perturbador, fatalista, violento e gratuito. Uma história bem contada. E, quando revi na faculdade, ainda gerou uma porção de piadas internas – e piadas internas são sempre legais (the old in out in out)

Life as a house (Tempo de Recomeçar, em português - eu acho)
Uma coisa que mexe comigo é o lance da paternidade. Outra é a idéia da redenção, de que os erros podem, de alguma forma, ser reparados. E esse filme tem muito dos dois. Dá pra chorar nele. Cena preferida: O menino indignado e revoltado diz para o pai, socando o peito dele: “vc me enganou! Vc me enganou só pra me fazer gostar de vc!” aí o pai responde, abraçando o filho: “Não, eu fiz isso pra que vc me amasse”


Crash
Um ilustre desconhecido, vencedor do Oscar. Um elenco de primeira, várias histórias paralelas entrelaçando-se, um roteiro sólido. Fala dos nossos preconceitos, e fala de nós enquanto humanos – de uma forma muito moderna e poética. Duas grandes cenas: o policial negro transando com a policial “mexicana” e a filha protegendo o pai de levar um tiro com sua “capa invisível” (pra quem não achar a cena linda, ou não entender, uma dica: festim). Crash pode ser traduzido como bater, tanto no sentido de esbarrar em alguém como bater com o carro. Na primeira cena, envolvendo uma batida de carro, o monólogo que abre o filme sugere que nós batemos (esbarramos) o tempo todo, uns nos outros, pq vivemos tão distantes e isolados que essa é a única forma na sociedade moderna de lembrarmos que ainda sentimos.

Kids
Vulgar, violento e ousado. Ele é um ataque direto ao telespectador, ao mesmo tempo que é um retrato verossímil de um aspecto dos nossos tempos extremamente cotidiano. Perturbador. A direção é muito boa também, com tudo concatenado, gosto como o principal não é dito e sim sugerido. Minha cena preferida é a final, quando o menino seção transa com a menina ainda adormecida.

Abril despedaçado
Filme nacional, com Rodrigo Santoro. “Abril” é um filme lento, de uma poesia agreste e um fatalismo lírico. Nata do cinema nacional.


Pequeno Milagre
Uma fábula moderna. Os fatos aleatórios que no final fazem sentido são um clichê, mas é muito legal aqui. A fé de Simon Birch é tocante. Mesmo quando seguidamente desqualificada, ele continua a acreditar. Aprender a contar “mississipis” e a música sobre a morte da professora já pagariam o filme. Gosto da ousadia do roteiro de dizer o que vai acontecer já na primeira cena (é determinista, mas ousado – shakespeare faz o mesmo em Romeu & Julieta). Bom, enfim, tem muita coisa legal no filme. Cena prefeirda: quando logo após uma tragédia o amigo de Simon sai de noite chamando o nome dele e o encontra no cemitério. Quando Simon ouve, olha pro céu e diz: “Pode falar Senhor, que eu to ouvindo!”. É uma fábula moderna sobre propósito.

Elefante
Inspirado no massacre de Columbine. O que esse filme tem de melhor é o domínio que Gus Van Sant (o diretor – pessoalmente eu não gosto da maioria dos filmes dele, mas aqui ele se garante) demonstra da linguagem e forma cinematográfica. Note como as histórias se cruzam de maneira inteligente (um lance que sempre curto em filmes). Outra coisa: as cenas são longas, ele faz cenas inteiras, sem um único corte de sete, dez até doze minutos! É dificílimo de fazer, tudo tem de ser muito bem ensaiado, e acontece aqui com extrema competência. A história em si não é nada fora do comum. Cena preferida: acho que o uni-duni-tê final.

Kill Bill (1 e 2)
Quentin Tarantino Rules! Bom, a narrativa dele sempre é o máximo, mas Kill Bill é o ápice. A divisão em capítulos, os personagens, as citações da cultura pop (ele homenageia desde Bruce lee e os filmes atuais de hong kong até o velho oeste e todos os seriados de TV que ele curtia como guri). A narrativa é perfeita. O visual é perfeito. E Kill Bill é o tipo de filme passional – ou você ama ou você odeia. Eu amo. Cena preferida: a introdução do volume dois, com a Noiva dirigindo o carro, a imagem em Preto e Branco e ela falando com o telespectador: refresca sua memória, dá uma palhinha do que vc vai ver naquele filme (o volume 2) e termina tanto dizendo sua missão quanto o nome do filme. Perfeito.

Transamérica
Um road movie, e eu realmente curto road movies. Muito bom por não atender nossas expectativas! O filme não é nada do que a gente espera, e coloca as coisas mais fora do comum pra minha mente provinciana com muita naturalidade e sensibilidade. Um filme sobre gente, no fim das contas.

Por hoje é só pessoal (prometo que nunca mais faço isso!=P)

27 junho 2007

Perspectiva


20 junho 2007

Aforismos do Sábio e Venerável Bran-Shu

“Nunca confie em um bicho que sangra sete dias todo mês e num morre”

“As coisas sempre podem piorar, você é que não tem imaginação”

“Se os fatos contradizem os profetas, pior pros fatos”

“Quem ri por último é por que não entendeu a piada”

“Se os fatos contradizem os profetas, compre a imprensa”

“É melhor ficar quieto e deixar que pensem que você é um idiota do que abrir a boca e não deixar nenhuma dúvida”

Questionamento filosófico: Quantos guarda-chuvas você já perdeu? Quantos você já achou? Para onde será que eles vão?

Consideração final do Imortal e Venerável Bran-Shu: “Todo bobo é assim mesmo, lê tudo que está escrito”

18 junho 2007

Fé pra abrir mão



Fé, pelo menos algumas vezes, é simplesmente abrir mão de entender Deus. Eu acho que quando a Bíblia diz que sem fé é impossível agradar a Deus, talvez, dentro desse conceito geral, também queira dizer que sem fé é impossível “lidar” com Deus.

Veja bem, Deus não faz sentido. Que tipo de bondade deixa (ainda que em sua “vontade permissiva”) uma garotinha de cinco anos de idade ser estuprada pelo próprio pai? Que tipo de justiça pode condenar um ser por agir de acordo com o que sua natureza determina – como condenar um cachorro por latir, ou, quem sabe, um leopardo por não ser capaz de mudar suas manchas (é Ezequiel que constrói essa imagem?), ou, quem sabe, um pecador por pecar?

Mas, e esse é meu ponto aqui, Deus não precisa fazer sentido. Pelo menos não mais sentido do que as ações de um pai adulto precisam fazer para uma criança realmente pequena (pré-operatória-em-verbalização-egoísta). A criança não precisa entender seu pai. Ela nem mesmo pensa sobre isso (e eu sei lá sobre o que elas pensam). O pai simplesmente está lá e, se as coisas derem errado, basta chorar alto e ele virá. Envolvendo-a em Seus braços de amor.

Nós (ou pelo menos alguns de nós) enfrentamos lutas tão duras para tomar as rédeas, e assumir o controle de nossas vidas – e então, somos convidados “ei, não entenda! Apenas confie... abra mão”.

Nós devemos abrir nossos dedos, deixando o controle de nossas vidas repousar nas mãos de alguém que não compreendemos ou entendemos. E devemos confiar (ou talvez, lá no fundo, nós saibamos) que essas são mãos de amor.

Como amantes, nós despimos nossas roupas, dizendo, de algum modo: “eu estou aqui, nu (a) na sua frente, estou exposto (a). Você pode me dar prazer e você pode me ferir. Você pode ser gentil ou rude. Por que, de qualquer forma, somos só eu e você, e eu estou nu (a) diante de você”.

Toda relação tem a ver com doação. A intimidade do sexo com alguém que você realmente ama (e que você sabe que ama você) pode ser, dentre as nossas experiências “cotidianas” a maior imagem do doar-se. Sem máscaras, honras ou títulos. Confiando que sua amante/seu amante irá escolher te dar prazer ao invés de te machucar. Ser gentil e não rude. É uma experiência de fé: dar-se a alguém que você não compreende numa relação de amor.

E fé, às vezes, é abrir mão de você mesmo. É se entregar.




PS – A quem interessar possa: Eu sou romântico por que o universo e a história são românticos. Os dois tratam de um noivo apaixonado vindo por sua noiva.

09 junho 2007

Recreio