30 maio 2007

Didática de Jesus

9.45 de quarta-feira. Hora de filosofar.

Cristo, quando ensinava, muitas vezes contava parábolas. Histórias narrativas simples e cotidianas – falando das coisas que seus ouvintes conheciam (ei, será que Paulo Freire bebeu daí?), como semear um campo, colher o trigo, perder uma moeda dentro de casa, a espera ansiosa das virgens casadoiras por um noivo. Analogias e metáforas, uma grande parte delas de sentido aberto.

Também era comum, especialmente quando era um ensino privado, um-a-um, ele usar o que ficou conhecido como método ou dúvida socrática, ou seja, fazer perguntas para seus interlocutores e ouvintes. Foi assim com a mulher junto ao poço (aquela dos cinco casamentos), com Nicodemos ou com os discípulos na nascente do Jordão.

O princípio subjacente nas duas técnicas de Jesus é simples: fazer com que as pessoas pensem. Uma vez que o homem foi feito pra pensar, é uma metodologia que dignifica o aluno. A descoberta, o raciocínio próprio, os insights daí advindos, tudo isso torna o conhecimento pessoal, existencial, significante num nível particular.

O conhecimento não é forçado garganta abaixo. Cristo não força, impõe ou coage. Ele conquista.

23 maio 2007

Do Furar Fila


Acho (sem nenhuma base mais confiável do que um chute empírico) que no Brasil todo se fura fila. Me contaram que na Disney (minha prima contaram, e ela não é patricinha só pq foi de férias pra Disney=P) nós, brasileiros, somos conhecidos exatamente pelo hábito de furar fila.

Semana passada pipocou a operação navalha, a mais bem orquestrada retaliação das, num termo não meu, mas de Arnaldo Jabor, "doenças venéreas brasileiras" ACM e Zé Sarney, contra os que decidiram roubar sozinhos, sem beijar mais seus anéis (em todos os sentidos). Nem vou discutir os méritos da operação, quem tava certo, se é que tinha alguém, ou mesmo a impressionante influência dessa galerinha sobre a própria PF. É só que, de novo, temos a corrupção em foco.

E fica todo mundo indignado. Pq os políticos são tudo uns ladrão, uns safado, etc etc. Talvez sabe, mas... Pensa só sobre furar fila. Se a gente reduzir o ato a seus elementos básicos, furar fila é mais ou menos "aproveitar uma oportunidade pra ter ganhos pessoais sem risco de punição em detrimento do direito de outros". O que também seria uma forma delicada de descrever as ações dos senhores presos pela Operação Navalha (a propósito, adoro os nomes das operações da PF, será que eles tem um departamento só pra criar nome de operações?).

Vamos conceder que furar fila e desviar milhões do dinheiro público não é a mesma coisa, MAS não são tão diferentes assim. São atos da mesma natureza.O problema não é que nossos políticos são corruptos, é que nós somos corruptos. A nossa cultura é uma cultura de corrupção, de aproveitar a chance, de tirar vantagem, de deixar passar.

Então, tipo, não sejam tão rigorosos com os nossos políticos... Afinal, se você estivese na posição deles, com aquela oportunidade de ouro (como um mané distraído deixando espaço na fila) precisando só de um pouquinho de cara-de-pau pra vc aproveitar... bom, oq vc faria?

21 maio 2007

Silogismo educativo em homem-aranha 3

Ei, alguém mais notou o tom educativo de homem-aranha 3? Tipo, o filme nem precisava, é bem legal e graças a topher grace (é assim que escreve?) a gente tem um venom (em qualquer mídia que seja) que faz sentido pela primeira vez.

Silogismo:

1 - O uniforme-negro-simbionte-alienígena faz aflorar o que há de pior na natureza humana
2 - peter parker vira um emo seboso (ok, emo seboso é pleonasmo redundante, mas eu não resisti)

LOGO

Os emos são o que há de pior na humanidade.


Tá, isso é óbvio, mas eu não disse que era uma conclusão genial, só que o filme é educativo.

ai ai, relaxando um pouco:P

15 maio 2007


Ando me perguntando se eu sempre li a Bíblia errado, ou se eu tô viajando muito na maionese ultimamente. Bom, andei pensando esses dias sobre aquele lance de fé como "grão de mostarda". O lance de que se vc tiver fé do tamanho de um grão de mostarda, será capaz de mover montanhas.

Sendo redundante (pra isso a fotografia aí em cima - sim, isso num é sujeira na mão do homem não, são umas dezenas do grão em questão) um grão de mostarda é um nada, uma nesga, uma porcariazinha.

Sempre que eu lia ou pensava sobre esse texto me sentia um bosta. O raciocínio era mais ou menos: se uma porcariazinha move montanhas, e eu não tenho mudado muito a geografia por esses dias, então tô f***d*! (ok, talvez eu usasse outros termos, mas a idéia geral era essa).

Talvez eu teja viajando, mas quando pensei no texto outro dia me senti motivado. Não precisa de muita coisa para mudar a nossa realidade, nenhum grande esforço, nenhum sacrifício ritual - basta uma nesga de nada de fé.
Acho que Deus não procura Grandes Pessoas, capazes de crer além de qualquer limite. Acho que ele procura pessoas, capazes de acreditar só um pouquinho - e ele, eu acho, aproveita esse pouquinho pra mudar a "geografia" de nossas vidas.
(Ou talvez eu teja viajando, quem sabe? vai ver foi Lost demais na cabeça somado ao corpo doscente da UFMA triturando meus dois neurônios...)