17 dezembro 2007

Post Encomendado


Me disseram há pouco tempo que nos momentos extremos é onde há mais verdade. É na alegria extrema, na extrema tristeza e, sobretudo, na raiva extrema que somos mais verdadeiros, mais nós-mesmos.

Claro que eu tendo a concordar com isso.

De certa forma, o estar livre das nossas amarras sociais, convencionais, legislativas, faz aflorar o que realmente pensamos e sentimos – bem como a FORMA de pensar e sentir, nosso famigerado temperamento.

Ou “gênio”, como dizia meu falecido avô – quando dizia que eu tinha o pior gênio de todos os dezoito netos, por exemplo.

No entanto – e parece que sempre há um “no entanto” – essa premissa de mais verdade nos momentos extremos só pode ser verdade se vivemos a maior parte do tempo tão submissos aos ditames comportamentais da sociedade que, de forma mais objetiva, vivemos em mentira.

Do meu ponto de observação da vida acho que a maior parte de nós vive uma vida tão mais ou menos – tão carente de intensidade, de paixão, enfim, de extremos – que a premissa acaba se aplicando.

Tem um carinha aí (Heidegger) que afirma que há pessoas que têm existências autênticas e outras (maioria) que têm existências inautênticas. Em resumo, um resumo que me fará persona non grata para todos os filósofos e estudantes de filosofia* e chacoalhará os ossos do pobre Heidegger em seu túmulo gelado:

uma existência autêntica envolve você assumir a responsabilidade pela sua vida tanto quanto viver de forma coerente consigo mesmo, não guiado pelos ditames e demandas externas (sociedade, cultura, família).

Pílula de Sabedoria para uma Existência Autêntica: Viva nos extremos, fuja da mediocridade e do lugar comum, se apaixone perdidamente, todos os dias (eventualmente por uma única pessoa), bata o pó das sandálias e tenha sempre uma mochila que você consiga carregar.

(E, claro, depois você me conta como é ter uma existência autêntica que eu acabo criando coragem e te seguindo)

PS – Parabéns Jéssica ;)!


*e virar inimigo dos estudantes de filosofia pode ser bem perigoso, na universidade federal local eles andam pondo em prática aquele lance de que “paus e pedras podem me ferir”

10 dezembro 2007

Prestação de Contas


Eu me arrependo, num grande clichê, daquilo que não fiz, das coisas que não disse, do que deixei passar.

Me arrependo de não ter entendido que certos amores simplesmente vão durar para sempre – não importando o quão errados, impossíveis e estranhos eles sejam, nem tampouco o quanto as pessoas firam-se no processo.

Me arrependo de não ter contado com a insanidade, mesquinhez e crueldade pura e simples que compõe o modo de vida de algumas pessoas.

Me arrependo de todas as aulas que eu não matei – fico abismado de pensar na quantidade de coisas que poderia ter aprendido se não tivesse ficado tediosa e militarmente sentado numa cadeira.

Também me arrependo das incontáveis vezes em que preferi o imediato ao eterno – das vezes em que deixei de ouvir um amigo pq eu precisava trabalhar; das vezes que deixei de beijar na chuva por causa dos resfriados, das roupas, do trabalho ou do-que-os-outros-vão-pensar – de todas as vezes, enfim, que abri mão de construir memórias eternas a partir de momentos fugazes.

De não entender que os sinais dos tempos são sutis, e que se você não estiver atento a eles, as coisas que mudam de vez sua vida simplesmente caem sobre sua cabeça no meio do marasmo de um dia qualquer.

De não ter considerado atentamente a opinião dos outros e, por outro lado, de todas as vezes que decidi a partir somente das expectativas dos outros.

De não ter sentido o ritmo, de não ter ouvido a música – e de não ter dançado até os pés sangrarem inebriado com o fluxo.

Das vezes, num outro grande clichê, que eu não disse o que devia – “eu te amo” “senti sua falta” “fica comigo?” “foda-se!” =)

Das inúmeras, inúmeras mesmo, vezes que eu disse o que eu não precisava, não devia ou não podia ter dito.

De não ter duvidado mais, de não ter confiado mais.

De todas as vezes que deixei pra depois – que “procrastinei” pra usar a palavra mais exata, mais feia e menos compreensível – arrogantemente achando que eu certamente teria esse depois.

De todos os beijos que não roubei.

De não ter aprendido a abrir mão de certas coisas, e de deixá-las ir – quando acaba, acaba, e há tempo para todas as coisas debaixo dos céus.

07 dezembro 2007


03 dezembro 2007

Da Igreja

"(...) e que Deus permita que se compreenda que insituições só servem a Deus se assumirem sua existência como contingencial, a fim de poderem se auto-renovar. E, para mim, não importa em que odre [o] vinho novo aparecerá. Eu só não consigo é enxergá-lo nos odres velhos, rasgados e viciados em suas próprias formas, métodos, aparências, emoções e conteúdos de ser e olhar a vida, que inegavelmente aí estão."


As vezes preciso concordar com Caio Fábio

Muito Barulho

Alguns estudiosos da pós-modernidade propõe "Era da Informação" como uma epítome para os nossos tempos atuais. Tenho a sensação, uma boa parte do tempo, que todo mundo parece estar falando muito, o tempo todo, mas sem dizer nada. No pacote de waifer que comi no café da manhã (dentro do ônibus) hoje tinha escrito "zero % de gordura trans", o sabonete antibacteriano diz que foi "dermatologicamente testado", o jornal local afirma que "80% mudaram de religião" (nesses termos) - q o que isso quer dizer mesmo? qual a diferença que a gordura trans faz num alimento saturado de um zilhão de outras coisas perniciosas (e deliciosas)? Dermatologicamente testado quer dizer que minha pele não vai cair quando usar o sabonete ou induz a alguma qualidade real do produto? e nem vou comentar o lance da religião. Até pq hoje tb sinto que eu ando fazendo muito barulho e dizendo pouco.

24 outubro 2007

Tudo é percepção...


... depende de como você escolhe ver as coisas.

15 setembro 2007

O Último Poema


Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais.
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos.
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Manuel Bandeira

05 setembro 2007

Faltou Che... =P

04 setembro 2007

Cinismo Pragmático


Estive pensando como nossa idéia, enquanto sociedade, sobre moral me parece um tanto romântica em excesso. Nós não somente devemos “fazer a coisa certa” como espera-se que façamos “a coisa certa” pelo “motivo certo”.

Num mundo como o nosso, tão freqüentemente cruel, e mais freqüentemente ainda vazio de sentido e engajamento, esperar por essa motivação pura, altruísta e autêntica pode ser, muitas vezes, esperar demais.

Wiston Churchill – primeiro ministro inglês durante a Segunda Guerra Mundial, considerado um herói internacional e um beberrão contumaz (uma pessoa feliz, em suma) – dizia que para se fazer todas as coisas...

“... há sempre uma boa razão e há a verdadeira razão.” E nesse mundo imperfeito, talvez devêssemos aceitar, em nós mesmos, essa motivação muitas vezes imperfeita, e a usarmos para fazer a tal coisa certa.

Não é o ideal, mas, freqüentemente, pode ser o melhor possível.

25 agosto 2007

panta rei


"Tudo flui (panta rei), nada persiste, nem permanece o mesmo" - Heráclito

23 agosto 2007

as palavras têm poder

Sempre odiei esse chavão-pop-pseudo-místico. Mas é verdade. Não no sentido de que o universo ou a realidade vão se curvar e mudar o rumo do destino por causa do que você disse. Por um lado o que vc diz molda suas crenças – e nós sempre agimos conforme cremos. Por outro, de um modo mais essencial, as palavras realmente moldam a realidade. É, por exemplo, um “eu te adoro” quando deveria ser um “eu te amo” que tem poder de partir seu mundo em dois.

31 julho 2007

Experiência e Futilidade


Here we are/now entertain us/I feel stupid/and contagious – kurt cobain

O mundo – e as possibilidades da experiência humana com ele – expandiu-se e escolheu numa antitética explosão, tornando-se uma gigantesca tribo aculturada. Há apenas dois séculos o mundo e a vida de um homem estariam circunscritos a, talvez, um raio de 100 km. Se você quebra a perna e passar duas semanas mofando na frente da tv, corre o risco de ser exposto a mais e mais diversa informação do que um homem comum do fim do século XVIII durante todo um ano de vida.

Parece que em nós, homens pós-modernos, subjaz um ressentimento surdo, talvez de não ser capaz de abarcar vivencialmente todo esse admirável mundo novo. Por mais que tenhamos e experimentemos, parece que sempre estamos “por fora”.

As coisas perderam a “aderência” (como diria Aristóteles). Pois sempre há algo novo, maior (ou menor), mais rápido, mais arrojado, mais emocionante e mais trágico para superar o último up-grade. Em época de hiper-estímulo até as tragédias ou principalmente elas, precisam ser visuais, instigantes, perturbadoras e “maiores do que a vida” para ter certa relevância na multidão de informação (e dor) do nosso caos pós-moderno.

A TAM agora parece inesquecível, mas João Hélio já quase se foi, e Beslan está completamente fora de nossa mente.

Como os fatos não “falam” direta e pessoalmente conosco não tem significado pessoal, mais e mais nos tornamos apáticos e distantes. Nos tornamos “estúpidos”, segundo Cobain – que reforçou seu argumento metendo uma bala na própria cabeça. E essa humanidade superficial, apática, bestificada carente de sentido e soterrada pela velocidade das mudanças, escorre para uma existência hedonista.

Os valores absolutos em nossa sociedade escapista, que se viciou rapidamente em emoção fácil e imediata, passara a ser o divertido e o seu contraponto, o chato. E quando algo em nós grita que alguma coisa não está certa, encontramos um equilíbrio a la nirvana (não o estado espiritual do budismo, a banda punk de seatle), que criticava o sistema sendo a número um da bilboard.

Ou seja, nós criticamos e nos adaptamos o mais eficientemente possível ao perverso sistema.

15 julho 2007

25


Quando eu ensinava literatura, costumava dizer que poeta é quem diz exatamente o que gostaríamos de dizer, se soubéssemos como juntar as palavras. Então, Renato Teixeira:


Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso, porque já chorei demais 
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe                                     
eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, 
eu nada sei 
 
Conhecer as manhas e as manhãs, 
o sabor das massas e das maçãs, 
é preciso amor pra poder pulsar, 
é preciso paz pra poder sorrir, 
é preciso a chuva para florir. 
 
Penso que cumprir a vida seja simplesmente 
compreender a marcha,e ir tocando em frente 
como um velho boiadeiro levando a boiada,
eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou,  
estrada eu sou 
 
Todo mundo ama um dia todo mundo chora, 
Um dia a gente chega, no outro vai embora 
Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz,  
de ser feliz 
 
Ando devagar porque já tive pressa 
e levo esse sorriso porque já chorei demais 
Cada um de nós compõe a sua história, 
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz, de ser feliz.



PS - a vida não vale nada sem uma boa história pra contar

04 julho 2007

Educação


Pedra que rola não cria limo


E eu tô doido pra rolar de novo...

02 julho 2007

Responsabilidade Social



Tive um momento de iluminação. Pense por um instante como todas as coisas estão interconectadas em nosso mundo globalizado, como tudo se liga, influencia, ecoa e reverbera. Pense então que, da próxima vez que você for assaltado, a culpa é sua, toda sua, completamente sua. E não é por votar em quem você votou, por não visitar os velhinhos no abrigo ou por não fazer obras sociais. É por uma razão muito mais prosaica: você não joga lixo na rua! Pense bem, só há trabalho se há demanda pelo serviço. Se todos nós jogássemos lixo na rua, haveria grande demanda por garis - e o gari não é emprego só pro gari, é pra fábrica de uniformes, e pras costureiras, e pras fábricas de botões e de tecido; é pros psicólogos que vão ter que recrutar a mão de obra a partir de critérios ridículos e dinâmicas de grupo em sentido ("eu salvaria o passarinho!"); é pras fábricas de vassouras, pás e sacos de lixo, enfim, todo um arranjo produtivo - que você destrói e limita quando NÃO JOGA o lixo na rua! Quando você não joga lixo, não gera emprego, empurra as pessoas para a marginalidade, agrava os problemas sociais, inicia um ciclo de violência e acaba sendo asaltado! Bem feito pra você!

30 junho 2007

Algumas opiniões que você não precisa sobre cinema =P


Tava vasculhando meu computador e achei um e-mail antigo que escrevi sobre alguns filmes que eu curto. Aí, com o instinto pouco apurado de que o mundo realmente precisa de uma lista de filmes recomendados por mim, atualizei a lista e os comentários. Não há nenhuma seqüência lógica, ou qualitativa. Eles tão meio que na ordem que eu fui lembrando. Divirtam-se =P (ou não)

Laranja Mecânica
Well, well, well, Jony Boy... Primeiro, Stanley Kubrick, falecido diretor, é o cara. O The Best Of The Bests. Qualquer filme que ele assinou era uma obra prima. Ele escolhia os filmes dele pelo prazer de uma história bem contada, independente das implicações de qualquer tipo ou das questões que pudesse levantar. Mais, ele dominava completamente a linguagem cinematográfica. Ele não só sabia contar uma história, como sabia contar uma história NO CINEMA. Em geral, inspiradas em bons livros, filmes ou mesmo em trechos de livros. Laranja Mecânica é perturbador, fatalista, violento e gratuito. Uma história bem contada. E, quando revi na faculdade, ainda gerou uma porção de piadas internas – e piadas internas são sempre legais (the old in out in out)

Life as a house (Tempo de Recomeçar, em português - eu acho)
Uma coisa que mexe comigo é o lance da paternidade. Outra é a idéia da redenção, de que os erros podem, de alguma forma, ser reparados. E esse filme tem muito dos dois. Dá pra chorar nele. Cena preferida: O menino indignado e revoltado diz para o pai, socando o peito dele: “vc me enganou! Vc me enganou só pra me fazer gostar de vc!” aí o pai responde, abraçando o filho: “Não, eu fiz isso pra que vc me amasse”


Crash
Um ilustre desconhecido, vencedor do Oscar. Um elenco de primeira, várias histórias paralelas entrelaçando-se, um roteiro sólido. Fala dos nossos preconceitos, e fala de nós enquanto humanos – de uma forma muito moderna e poética. Duas grandes cenas: o policial negro transando com a policial “mexicana” e a filha protegendo o pai de levar um tiro com sua “capa invisível” (pra quem não achar a cena linda, ou não entender, uma dica: festim). Crash pode ser traduzido como bater, tanto no sentido de esbarrar em alguém como bater com o carro. Na primeira cena, envolvendo uma batida de carro, o monólogo que abre o filme sugere que nós batemos (esbarramos) o tempo todo, uns nos outros, pq vivemos tão distantes e isolados que essa é a única forma na sociedade moderna de lembrarmos que ainda sentimos.

Kids
Vulgar, violento e ousado. Ele é um ataque direto ao telespectador, ao mesmo tempo que é um retrato verossímil de um aspecto dos nossos tempos extremamente cotidiano. Perturbador. A direção é muito boa também, com tudo concatenado, gosto como o principal não é dito e sim sugerido. Minha cena preferida é a final, quando o menino seção transa com a menina ainda adormecida.

Abril despedaçado
Filme nacional, com Rodrigo Santoro. “Abril” é um filme lento, de uma poesia agreste e um fatalismo lírico. Nata do cinema nacional.


Pequeno Milagre
Uma fábula moderna. Os fatos aleatórios que no final fazem sentido são um clichê, mas é muito legal aqui. A fé de Simon Birch é tocante. Mesmo quando seguidamente desqualificada, ele continua a acreditar. Aprender a contar “mississipis” e a música sobre a morte da professora já pagariam o filme. Gosto da ousadia do roteiro de dizer o que vai acontecer já na primeira cena (é determinista, mas ousado – shakespeare faz o mesmo em Romeu & Julieta). Bom, enfim, tem muita coisa legal no filme. Cena prefeirda: quando logo após uma tragédia o amigo de Simon sai de noite chamando o nome dele e o encontra no cemitério. Quando Simon ouve, olha pro céu e diz: “Pode falar Senhor, que eu to ouvindo!”. É uma fábula moderna sobre propósito.

Elefante
Inspirado no massacre de Columbine. O que esse filme tem de melhor é o domínio que Gus Van Sant (o diretor – pessoalmente eu não gosto da maioria dos filmes dele, mas aqui ele se garante) demonstra da linguagem e forma cinematográfica. Note como as histórias se cruzam de maneira inteligente (um lance que sempre curto em filmes). Outra coisa: as cenas são longas, ele faz cenas inteiras, sem um único corte de sete, dez até doze minutos! É dificílimo de fazer, tudo tem de ser muito bem ensaiado, e acontece aqui com extrema competência. A história em si não é nada fora do comum. Cena preferida: acho que o uni-duni-tê final.

Kill Bill (1 e 2)
Quentin Tarantino Rules! Bom, a narrativa dele sempre é o máximo, mas Kill Bill é o ápice. A divisão em capítulos, os personagens, as citações da cultura pop (ele homenageia desde Bruce lee e os filmes atuais de hong kong até o velho oeste e todos os seriados de TV que ele curtia como guri). A narrativa é perfeita. O visual é perfeito. E Kill Bill é o tipo de filme passional – ou você ama ou você odeia. Eu amo. Cena preferida: a introdução do volume dois, com a Noiva dirigindo o carro, a imagem em Preto e Branco e ela falando com o telespectador: refresca sua memória, dá uma palhinha do que vc vai ver naquele filme (o volume 2) e termina tanto dizendo sua missão quanto o nome do filme. Perfeito.

Transamérica
Um road movie, e eu realmente curto road movies. Muito bom por não atender nossas expectativas! O filme não é nada do que a gente espera, e coloca as coisas mais fora do comum pra minha mente provinciana com muita naturalidade e sensibilidade. Um filme sobre gente, no fim das contas.

Por hoje é só pessoal (prometo que nunca mais faço isso!=P)

27 junho 2007

Perspectiva


20 junho 2007

Aforismos do Sábio e Venerável Bran-Shu

“Nunca confie em um bicho que sangra sete dias todo mês e num morre”

“As coisas sempre podem piorar, você é que não tem imaginação”

“Se os fatos contradizem os profetas, pior pros fatos”

“Quem ri por último é por que não entendeu a piada”

“Se os fatos contradizem os profetas, compre a imprensa”

“É melhor ficar quieto e deixar que pensem que você é um idiota do que abrir a boca e não deixar nenhuma dúvida”

Questionamento filosófico: Quantos guarda-chuvas você já perdeu? Quantos você já achou? Para onde será que eles vão?

Consideração final do Imortal e Venerável Bran-Shu: “Todo bobo é assim mesmo, lê tudo que está escrito”

18 junho 2007

Fé pra abrir mão



Fé, pelo menos algumas vezes, é simplesmente abrir mão de entender Deus. Eu acho que quando a Bíblia diz que sem fé é impossível agradar a Deus, talvez, dentro desse conceito geral, também queira dizer que sem fé é impossível “lidar” com Deus.

Veja bem, Deus não faz sentido. Que tipo de bondade deixa (ainda que em sua “vontade permissiva”) uma garotinha de cinco anos de idade ser estuprada pelo próprio pai? Que tipo de justiça pode condenar um ser por agir de acordo com o que sua natureza determina – como condenar um cachorro por latir, ou, quem sabe, um leopardo por não ser capaz de mudar suas manchas (é Ezequiel que constrói essa imagem?), ou, quem sabe, um pecador por pecar?

Mas, e esse é meu ponto aqui, Deus não precisa fazer sentido. Pelo menos não mais sentido do que as ações de um pai adulto precisam fazer para uma criança realmente pequena (pré-operatória-em-verbalização-egoísta). A criança não precisa entender seu pai. Ela nem mesmo pensa sobre isso (e eu sei lá sobre o que elas pensam). O pai simplesmente está lá e, se as coisas derem errado, basta chorar alto e ele virá. Envolvendo-a em Seus braços de amor.

Nós (ou pelo menos alguns de nós) enfrentamos lutas tão duras para tomar as rédeas, e assumir o controle de nossas vidas – e então, somos convidados “ei, não entenda! Apenas confie... abra mão”.

Nós devemos abrir nossos dedos, deixando o controle de nossas vidas repousar nas mãos de alguém que não compreendemos ou entendemos. E devemos confiar (ou talvez, lá no fundo, nós saibamos) que essas são mãos de amor.

Como amantes, nós despimos nossas roupas, dizendo, de algum modo: “eu estou aqui, nu (a) na sua frente, estou exposto (a). Você pode me dar prazer e você pode me ferir. Você pode ser gentil ou rude. Por que, de qualquer forma, somos só eu e você, e eu estou nu (a) diante de você”.

Toda relação tem a ver com doação. A intimidade do sexo com alguém que você realmente ama (e que você sabe que ama você) pode ser, dentre as nossas experiências “cotidianas” a maior imagem do doar-se. Sem máscaras, honras ou títulos. Confiando que sua amante/seu amante irá escolher te dar prazer ao invés de te machucar. Ser gentil e não rude. É uma experiência de fé: dar-se a alguém que você não compreende numa relação de amor.

E fé, às vezes, é abrir mão de você mesmo. É se entregar.




PS – A quem interessar possa: Eu sou romântico por que o universo e a história são românticos. Os dois tratam de um noivo apaixonado vindo por sua noiva.

09 junho 2007

Recreio


30 maio 2007

Didática de Jesus

9.45 de quarta-feira. Hora de filosofar.

Cristo, quando ensinava, muitas vezes contava parábolas. Histórias narrativas simples e cotidianas – falando das coisas que seus ouvintes conheciam (ei, será que Paulo Freire bebeu daí?), como semear um campo, colher o trigo, perder uma moeda dentro de casa, a espera ansiosa das virgens casadoiras por um noivo. Analogias e metáforas, uma grande parte delas de sentido aberto.

Também era comum, especialmente quando era um ensino privado, um-a-um, ele usar o que ficou conhecido como método ou dúvida socrática, ou seja, fazer perguntas para seus interlocutores e ouvintes. Foi assim com a mulher junto ao poço (aquela dos cinco casamentos), com Nicodemos ou com os discípulos na nascente do Jordão.

O princípio subjacente nas duas técnicas de Jesus é simples: fazer com que as pessoas pensem. Uma vez que o homem foi feito pra pensar, é uma metodologia que dignifica o aluno. A descoberta, o raciocínio próprio, os insights daí advindos, tudo isso torna o conhecimento pessoal, existencial, significante num nível particular.

O conhecimento não é forçado garganta abaixo. Cristo não força, impõe ou coage. Ele conquista.

23 maio 2007

Do Furar Fila


Acho (sem nenhuma base mais confiável do que um chute empírico) que no Brasil todo se fura fila. Me contaram que na Disney (minha prima contaram, e ela não é patricinha só pq foi de férias pra Disney=P) nós, brasileiros, somos conhecidos exatamente pelo hábito de furar fila.

Semana passada pipocou a operação navalha, a mais bem orquestrada retaliação das, num termo não meu, mas de Arnaldo Jabor, "doenças venéreas brasileiras" ACM e Zé Sarney, contra os que decidiram roubar sozinhos, sem beijar mais seus anéis (em todos os sentidos). Nem vou discutir os méritos da operação, quem tava certo, se é que tinha alguém, ou mesmo a impressionante influência dessa galerinha sobre a própria PF. É só que, de novo, temos a corrupção em foco.

E fica todo mundo indignado. Pq os políticos são tudo uns ladrão, uns safado, etc etc. Talvez sabe, mas... Pensa só sobre furar fila. Se a gente reduzir o ato a seus elementos básicos, furar fila é mais ou menos "aproveitar uma oportunidade pra ter ganhos pessoais sem risco de punição em detrimento do direito de outros". O que também seria uma forma delicada de descrever as ações dos senhores presos pela Operação Navalha (a propósito, adoro os nomes das operações da PF, será que eles tem um departamento só pra criar nome de operações?).

Vamos conceder que furar fila e desviar milhões do dinheiro público não é a mesma coisa, MAS não são tão diferentes assim. São atos da mesma natureza.O problema não é que nossos políticos são corruptos, é que nós somos corruptos. A nossa cultura é uma cultura de corrupção, de aproveitar a chance, de tirar vantagem, de deixar passar.

Então, tipo, não sejam tão rigorosos com os nossos políticos... Afinal, se você estivese na posição deles, com aquela oportunidade de ouro (como um mané distraído deixando espaço na fila) precisando só de um pouquinho de cara-de-pau pra vc aproveitar... bom, oq vc faria?

21 maio 2007

Silogismo educativo em homem-aranha 3

Ei, alguém mais notou o tom educativo de homem-aranha 3? Tipo, o filme nem precisava, é bem legal e graças a topher grace (é assim que escreve?) a gente tem um venom (em qualquer mídia que seja) que faz sentido pela primeira vez.

Silogismo:

1 - O uniforme-negro-simbionte-alienígena faz aflorar o que há de pior na natureza humana
2 - peter parker vira um emo seboso (ok, emo seboso é pleonasmo redundante, mas eu não resisti)

LOGO

Os emos são o que há de pior na humanidade.


Tá, isso é óbvio, mas eu não disse que era uma conclusão genial, só que o filme é educativo.

ai ai, relaxando um pouco:P

15 maio 2007


Ando me perguntando se eu sempre li a Bíblia errado, ou se eu tô viajando muito na maionese ultimamente. Bom, andei pensando esses dias sobre aquele lance de fé como "grão de mostarda". O lance de que se vc tiver fé do tamanho de um grão de mostarda, será capaz de mover montanhas.

Sendo redundante (pra isso a fotografia aí em cima - sim, isso num é sujeira na mão do homem não, são umas dezenas do grão em questão) um grão de mostarda é um nada, uma nesga, uma porcariazinha.

Sempre que eu lia ou pensava sobre esse texto me sentia um bosta. O raciocínio era mais ou menos: se uma porcariazinha move montanhas, e eu não tenho mudado muito a geografia por esses dias, então tô f***d*! (ok, talvez eu usasse outros termos, mas a idéia geral era essa).

Talvez eu teja viajando, mas quando pensei no texto outro dia me senti motivado. Não precisa de muita coisa para mudar a nossa realidade, nenhum grande esforço, nenhum sacrifício ritual - basta uma nesga de nada de fé.
Acho que Deus não procura Grandes Pessoas, capazes de crer além de qualquer limite. Acho que ele procura pessoas, capazes de acreditar só um pouquinho - e ele, eu acho, aproveita esse pouquinho pra mudar a "geografia" de nossas vidas.
(Ou talvez eu teja viajando, quem sabe? vai ver foi Lost demais na cabeça somado ao corpo doscente da UFMA triturando meus dois neurônios...)

30 abril 2007

Tacanho


pior parte da dor de cotovelo (pq nos faz sentir tacanhos e pequenos): ver que a outra pessoa seguiu em frente muito bem sem vc.

23 abril 2007

moving mountains




Deixa eu ser um tantinho só herético. Cês sacam aquele lance de que a fé move montanhas? Tava pensando sobre isso outro dia. Não sei exatamente o que Cristo queria dizer com isso - sou mais incompetente do que as dezenas de padres, pastores e autores de livros cristãos - mas acho que existe uma forma existencial de se entender a afirmação.




Talvez Cristo estivesse falando de perseverança. De trabalho árduo, continuo e sem desistir. As pessoas motivadas, que tem fé, não param no meio do caminho. Continuam sorrindo, passam uma imagem positiva de si para os outros e pra seus próprios conscientes. Ou seja, acabam gerando uma sinergia positiva. O que leva a resultados, pelo menos a médio ou longo prazo.




A fé evita que vc se entregue à depressão, que pare de trabalhar e lutar, que desista de levantar de manhã. Talvez a fé não mova montanhas magicamente, tipo "monte Fuji lance-se ao mar!" e lá vai o símbolo nacional japonês saltando alegremente no oceano pacífico (ou talvez sim, vai saber). Mas a fé permite que você carregue seu carrinho-de-mão de areia dia após dia, de um lado pro outro, até que as montanhas, literalmente, mudem de lugar. Ou se tornem caminhos aplainados. ou se tornem mais altas (sei lá, a montanha é sua, cê faz o que quiser com ela
A propósito, quem conseguir garimpar vale a pena assistir "O inglês que subiu a colina e desceu a montanha", Hugh Grant, mais ou menos 1994.